O remake de Ocarina of Time ganhou recentemente seu primeiro gameplay durante o Zelda Direct desta semana, mas a recepção foi longe de unânime. Enquanto uma onda de nostalgia do clássico de 1998 do Nintendo 64 tomou conta das redes sociais, o estilo artístico escolhido para o remake gerou polêmica, em especial os novos modelos de personagens. O design do Link, com nariz pontiagudo, olhos grandes e feições exageradas, foi o alvo preferido das críticas. Agora, um veterano da Nintendo oferece uma perspectiva interessante sobre de onde pode vir essa estética tão peculiar.
Takaya Imamura, que trabalhou na Nintendo por mais de 30 anos, com destaque nas séries Star Fox e F-Zero, e que foi o diretor de arte de The Legend of Zelda: Majora’s Mask, usou o X para compartilhar sua leitura sobre os designs. Para ele, os modelos do remake carregam as marcas do amor de Shigeru Miyamoto pelo teatro de fantoches.
“O que senti ao ver esse modelo de personagem (do Link) é que o amor de Miyamoto-san pelo teatro de fantoches (ningyogeki) está fortemente refletido aqui também!”, escreveu Imamura. Em uma publicação posterior, ele fez questão de deixar claro que estava especulando, sem qualquer confirmação oficial da Nintendo.
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A longa tradição dos fantoches no Japão e na Nintendo
A conexão de Miyamoto com o universo dos fantoches é antiga e bem documentada. Para entender o contexto, vale lembrar que o Japão tem uma tradição secular no teatro de bonecos, especialmente o bunraku. Além disso, emissoras japonesas produziram uma vasta quantidade de séries televisivas com fantoches ao longo das décadas de 1960 e 1970. A emissora pública NHK, por exemplo, mantém em seu arquivo um catálogo inteiro de programas classificados no gênero ningyogeki, com clipes que vão dos anos 1950 até o presente. O Japão também importou séries estrangeiras do gênero, como Thunderbirds, de Gerry Anderson, que exerceu influência duradoura no anime.
No caso específico do Ocarina of Time Remake, os jogadores foram rápidos em apontar semelhanças com produções mais recentes. Os rostos dos personagens, com olhos grandes, plásticos e nariz saliente, lembraram muitos de The New Three Musketeers (Shin Sanjushi, 2009-2010), da NHK, e da versão de Sherlock Holmes com fantoches de 2014. Os bonecos de The New Three Musketeers foram criados pelo lendário estúdio japonês Studio Nova, o mesmo responsável pelos bonecos físicos usados como base para os modelos de personagens de Dragon Quest 7 Reimagined. Outros apontaram similaridades com o clássico de fantasia The Dark Crystal, de 1982, e sua mais recente produção para a Netflix.
De Star Fox ao E3 de 2015: Miyamoto e sua paixão por bonecos
Não é de hoje que fãs da Nintendo percebem essa influência no trabalho de Miyamoto. Os personagens de Star Fox, por exemplo, guardam forte semelhança estética com The Muppets, e o comercial do primeiro jogo da franquia, lançado em 1993, usou fantoches reais em sua campanha publicitária.
Mas o momento mais emblemático dessa relação foi a apresentação da Nintendo na E3 2015. Em parceria com a Jim Henson Company, criadora dos Muppets, a empresa transformou figuras centrais da companhia em versões de fantoches ao estilo Muppet. Entre os “homenageados” estavam o próprio Shigeru Miyamoto, o então presidente da Nintendo America, Reggie Fils-Aimé, e o saudoso presidente da Nintendo no Japão, Satoru Iwata.
Em entrevista concedida à IGN na época, Reggie Fils-Aimé explicou a origem da ideia. “Uma das coisas que ele compartilhou foi que, na sua juventude, costumava fazer fantoches”, disse Fils-Aimé sobre Miyamoto. “Isso levou a uma série de sessões de brainstorm e resultou em nossa pequena colaboração com o Henson Studios e na criação dos fantoches da Nintendo. Foi uma colaboração muito divertida.”
Com todo esse histórico, a leitura de Takaya Imamura sobre os modelos do Ocarina of Time Remake faz sentido. O estilo segue sendo divisivo, mas ao menos agora há um contexto cultural e pessoal que pode explicar as escolhas visuais por trás de um dos remakes mais aguardados da história da Nintendo.
O visual está realmente ruim?
À primeira vista, o visual pode realmente estranhar, com as feições exageradas e especialmente os brilhos na pele dos personagens. No entanto, muito do ceticismo do público parece ser apenas questão de costume. O jogo se afasta muito da arte do original, ao mesmo tempo que entrega um visual único dentro da franquia.
O remake de Star Fox passou pelo mesmo, com críticas ao seu visual no anúncio, mas atualmente a grande parcela de jogadores já tendo se acostumado com o resultado. Mudanças bruscas no estilo visual de uma série sempre acaba gerando uma rejeição inicial do público.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time está em desenvolvimento exclusivamente para Nintendo Switch 2 e chegará em 5 de novembro de 2026.
Fonte: IGN
Fonte: Video games


