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Uma das maiores lojas de mídia física no Reino Unido entra em colapso após acumular dívida de £15 milhões


A Game, uma das redes de varejo de jogos mais tradicionais do Reino Unido, entrou oficialmente em administração judicial após acumular uma dívida de £15,8 milhões (cerca de R$108 milhões), marcando mais um duro golpe para o mercado britânico de vendas de jogos físicos.

Segundo informações do The Herald, o colapso pode deixar credores com perdas de aproximadamente £12 milhões, evidenciando as dificuldades financeiras que vêm afetando as varejistas tradicionais de games nos últimos anos.

Administradores assumem o controle

A Game foi colocada em administração conjunta sob responsabilidade dos especialistas em insolvência James Saunders e Lauren Wentworth, da KR8 Advisory, empresa especializada em reestruturação corporativa e recuperação de negócios.

A dívida da companhia inclui cerca de £3,5 milhões devidos a credores garantidos e aproximadamente £12 milhões a credores quirografários (sem garantia). Embora os administradores esperem quitar a dívida com os credores garantidos, é improvável que os demais recuperem integralmente os valores devidos.

Em comunicado, a KR8 Advisory afirmou que, após analisar a situação financeira e operacional da empresa, concluiu que “o negócio já não era mais viável”. Os administradores também revelaram que o credor garantido “já não estava em condições de continuar financiando as operações da empresa”, tornando a administração judicial a única alternativa restante.

Fundada em 1990, a Game tornou-se uma das maiores varejistas especializadas em videogames do Reino Unido, chegando a operar cerca de 300 lojas em seu auge. A empresa recebeu um fôlego em 2012 ao adquirir os ativos e as operações da antiga Game Group Plc. Segundo a KR8 Advisory, essa aquisição levou a “uma revisão financeira e operacional, que resultou no fechamento de algumas lojas deficitárias, mas também incluiu planos para abrir novas unidades”. Apesar desses esforços, a situação da empresa continuou se deteriorando ao longo da década seguinte.

midia fisica

A ascensão do digital transformou o mercado

Um dos principais fatores para o declínio da Game foi a rápida migração da indústria de jogos dos discos físicos para as compras digitais.

De acordo com a KR8 Advisory, “as condições de mercado permaneceram difíceis nos anos seguintes, impulsionadas por mudanças no comportamento dos consumidores, incluindo a transição dos jogos físicos para downloads digitais, as incertezas relacionadas ao Brexit e o aumento da concorrência no setor”.

A Game registrou uma queda de 10% na receita em 2016 e, em 2019, acumulou prejuízos de aproximadamente £43 milhões, mesmo tendo registrado um faturamento de £423 milhões. Posteriormente, a Frasers Group adquiriu a Game e sua propriedade intelectual em uma tentativa de manter a varejista em operação, além de quitar aluguéis pendentes da sede da empresa.

Ainda assim, a companhia continuou enfrentando dificuldades devido à desaceleração nas vendas de hardware, à ausência de grandes lançamentos de consoles após 2020 e à escassez global de componentes, que limitou a oferta de produtos. Ao final, os administradores concluíram que a empresa não tinha mais condições de continuar operando.

Jogos físicos enfrentam um futuro incerto

A entrada da Game em administração judicial acontece poucos dias após a Entertainment Retailers Association (ERA), do Reino Unido, criticar a suposta decisão da Sony de encerrar a produção de discos de PlayStation em janeiro de 2028. A CEO da ERA, Kim Bayley, alertou que abandonar a mídia física terá consequências duradouras tanto para varejistas quanto para consumidores.

“Acabar com os discos não representa progresso, apenas elimina a possibilidade de escolha”, afirmou Bayley. “Isso é ruim para os jogadores, ruim para os varejistas e, no longo prazo, prejudica a saúde e a preservação da indústria de jogos.”

Fonte: Gaming Bolt



Fonte: Video games

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