Os consoles podem voltar a ficar mais caros nos Estados Unidos. O governo de Donald Trump estuda uma nova rodada de tarifas de importação sobre produtos de tecnologia que, segundo o Politico, incluiria consoles de videogame, laptops e servidores de data centers. A notícia surge num momento particularmente delicado: fabricantes como Nintendo e Sony ainda enfrentam processos judiciais de consumidores por não terem devolvido valores cobrados durante a rodada anterior de tarifas, derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
De acordo com o Politico, “uma das abordagens tarifárias em consideração expandiria dramaticamente o número de produtos de tecnologia sujeitos às taxas, afetando não apenas chips, mas potencialmente muitos dos produtos fabricados com eles, como laptops, consoles de jogos ou os servidores que preenchem data centers”. A lógica da Casa Branca seria usar as tarifas como alavanca de pressão para que empresas invistam na construção de fábricas de semicondutores em solo americano.
Pressão dupla: tarifas e escassez de memória RAM
O cenário é agravado por um fator independente das tarifas. A escassez de memória RAM, provocada pelo volume massivo de investimentos de empresas de inteligência artificial na compra de chips de memória para data centers, já vem pressionando os custos de fabricação de consoles. Analistas de mercado já projetavam que as donas de consoles poderiam ser forçadas a aumentar os preços de seus produtos no próximo ano, ainda que nenhuma nova tarifa fosse anunciada.
Com a possibilidade de uma nova rodada de taxas de importação entrando na equação, a perspectiva para o consumidor piora. O risco concreto é que os preços subam no curto prazo e, se a política for novamente contestada e derrubada judicialmente, como aconteceu antes, o mercado tenha passado por mais um ciclo de instabilidade desnecessária sem nenhum ganho estrutural para a indústria de semicondutores americana.
O histórico das tarifas derrubadas
Para entender o peso da ameaça atual, é preciso lembrar o que aconteceu com as chamadas “tarifas recíprocas” do governo Trump. Aquela política foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA com placar de 6 a 3, em decisão que determinou que o presidente não tem autoridade para impor unilateralmente taxas de importação sobre outras nações sem legislação aprovada pelo Congresso. Com a queda das tarifas, as empresas que haviam pago os valores tiveram direito a ressarcimento — incluindo Sony e Nintendo, que haviam repassado os custos extras ao consumidor final na forma de aumento de preços.
Agora, parte desses consumidores entrou na Justiça cobrando uma fatia dos reembolsos recebidos pelas fabricantes. A Nintendo e a Sony são alvo de ações judiciais separadas por esse motivo, o que já coloca as duas empresas numa posição desconfortável antes mesmo de qualquer nova taxação entrar em vigor.
Fonte: Kotaku
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