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Shawn Layden diz que Sony voltar atrás nos ports para PC é um erro: “Nunca desvalorizou a marca”


Os ports da PlayStation para PC de títulos como God of War, The Last of Us, Marvel’s Spider-Man e Ghost of Tsushima nunca prejudicaram as vendas de consoles e recuar dessa estratégia agora é um erro. Essa é a avaliação de Shawn Layden, ex-chefe da PlayStation, em entrevista recente ao canal PSI, na qual ele defende o modelo de ports tardios que marcou a era do PlayStation 4 e do PlayStation 5.

A declaração vem em momento delicado: o presidente atual da SIE, Hideaki Nishino, confirmou oficialmente na semana passada que a empresa mudou de rota. De agora em diante, apenas jogos multiplayer e de live-service receberão versões para PC. Os grandes exclusivos single-player, ao menos por enquanto, serão considerados caso a caso.

A lógica por trás dos ports atrasados

Para Layden, a estratégia original partia de uma pergunta simples sobre alcance de público. “Como eu coloco minha propriedade intelectual na frente de pessoas que normalmente não a veriam? Porque 250 milhões ou 260 milhões de domicílios no mundo têm consoles. Há 8 bilhões de pessoas no planeta. Há outros 2, 3, 4 bilhões de pessoas jogando em PC, mobile ou o que for. Como eu chego até elas”, disse ele.

A resposta encontrada pela PlayStation foi justamente o port atrasado, lançar os jogos no PC meses depois da janela exclusiva no console. Segundo Layden, esse modelo serviu também como combustível para a expansão da empresa em outras mídias. “À medida que levamos nossa propriedade intelectual para outras mídias… você precisa ter o maior número possível de pessoas que conhecem esse personagem, essa história, para que quando forem comprar um ingresso de cinema, ligar a TV ou comprar uma graphic novel, elas digam ‘Ah, eu conheço esse cara! Eu gosto desse cara! Quero ver o que acontece com ele a seguir’”, explicou.

O exemplo mais concreto desse raciocínio está na série de TV de The Last of Us, cuja forte recepção pelo público sugere que a familiaridade prévia com os personagens, cultivada também entre jogadores de PC, contribuiu para o sucesso.

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“Não perdemos uma venda”

Um dos argumentos mais frequentes contra os ports para PC é o de que eles canibalizam as vendas de hardware. Layden rebate diretamente essa ideia. “Se alguém está esperando 18 meses para um jogo chegar ao PC, nós não perdemos uma venda para essa pessoa — ela não ia comprar o hardware de qualquer forma. Você está apenas monetizando alguém que estava completamente fora do seu ecossistema até aquele momento. Então eu não vejo isso como desvalorizar a marca; eu vejo como expandir o alcance dela”, afirmou.

A posição de Layden não é isolada. Anteriormente, Shuhei Yoshida já havia defendido publicamente que os ports para PC não prejudicaram o PlayStation 5.

Exclusividade ainda importa, mas com equilíbrio

Ao mesmo tempo em que defende os ports tardios, Layden é categórico sobre a importância dos exclusivos para o modelo de negócio de plataforma. Para ele, é essa exclusividade que justifica a existência do hardware. “É assim que você diferencia a plataforma… Se você quer aquela experiência, precisa comprar esta caixa. E foi isso que impulsionou as vendas de hardware, que impulsionaram os números do ecossistema, que impulsionaram os royalties de terceiros, que moveram toda a máquina”, disse.

O raciocínio oposto, lançar tudo em todo lugar no mesmo dia, tem um histórico bem documentado na indústria. “Se você disponibiliza tudo em todo lugar, você vira uma commodity. E quando você vira uma commodity, está apenas competindo por preço, e isso é uma corrida para o fundo do poço”, alertou Layden.

A referência é transparente: a estratégia “Tudo é um Xbox”, que levou todos os exclusivos do console da Microsoft ao PS5, é apontada como exemplo do que não fazer. O resultado foi a ausência de um motivo real para comprar um Xbox por um longo período, situação que o retorno às exclusividades com Gears of War: E-Day tenta reverter, mas, segundo a análise do próprio Layden, pode ser tarde demais.

Fonte: Wccftech



Fonte: Video games

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