Dirigido por Scott Cooper e estrelado por Jeremy Allen White, o longa usa a introspecção acústica e os temas da depressão para se diferenciar de outras cinebiografias.
É verdade que existem filmes em que a intenção cínica de explorar uma história real só para buscar prestígio, prêmios e atenção comercial é flagrantemente óbvia (basta lembrar a atuação de Bradley Cooper em Maestro… pois é!).
Felizmente, o público e a crítica parecem ter mudado suas prioridades, tornando esforços descarados (e às vezes medíocres) como Springsteen: Salve-me do Desconhecido algo cada vez mais fútil.
Nascido para correr… atrás do Oscar?
20th Century Fox/Walt Disney Studios Motion Pictures
Talvez Jeremy Allen White, ao aceitar estrelar essa cinebiografia musical sobre um momento crucial na vida e na carreira de Bruce Springsteen, esperasse conquistar um Oscar (ou pelo menos uma indicação) e consolidar seu status como estrela em ascensão. Curiosamente, as indicações ao Oscar foram anunciadas e… Springsteen: Salve-me do Desconhecido ficou de fora.
A trama mostra um Springsteen assombrado pela inquietação e por memórias da infância. Em retiro numa casa em Nova Jersey, ele busca um alívio criativo: usando um gravador caseiro e uma guitarra, transforma histórias de outras pessoas em canções, um jeito de externalizar sua angústia.
Em vez de seguir a fórmula já batida de muitas cinebiografias de superestrelas (aquela que vai da infância ao auge, com os momentos difíceis devidamente suavizados), a produção opta por focar em episódios específicos. A infância ainda é um tema explorado, mas tudo gira em torno do momento mais emocionante e sombrio da carreira do artista: a gravação do álbum Nebraska.
Um filme que tinha tudo para entregar “mais”?

20th Century Fox/Walt Disney Studios Motion Pictures
Nossa crítica concedeu ao filme uma nota razoável: 3,5 estrelas de 5. O comentário destacou: “Acho que essa abordagem, embora criativa, ainda navega na superficialidade. Toda vez que a trama parecia prestes a engrenar e mergulhar mais fundo no personagem, algum conflito externo precisava aparecer para intensificar o drama. Não há dúvidas de que a vida de um artista do calibre de Springsteen seja dramática, mas no filme sinto que a necessidade de seguir alguns padrões talvez tenha nos impedido de nos conectar fortemente com o que o tornou uma figura célebre: sua mente criativa.“
Para quem conhece a história e a discografia de The Boss, o período retratado é impactante – mesmo que tenha sido um tormento pessoal para ele, marcado pela luta contra a depressão. O filme, no entanto, aborda toda essa complexidade emocional de forma superficial, com flashbacks e momentos íntimos que soam forçados e clichês, apesar da tentativa declarada de romper com a fórmula.
Embora a história em si tenha um potencial cinematográfico enorme, o resultado final é a versão menos inspirada e mais insípida possível. O filme só se torna verdadeiramente interessante quando examina o processo técnico de transformar gravações caseiras de baixa qualidade em algo audível, preservando a essência original.
Quer tirar suas próprias conclusões? O filme já está disponível no catálogo do Disney+.
Fonte: Filmes e Séries


