O Favela Sounds realiza em 19 de setembro, no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, a primeira edição da Resenha Favela Sounds, evento gratuito dedicado à música eletrônica periférica do Brasil, da África e de sua diáspora. A programação acontece das 22h às 5h e reúne oito DJs em uma edição intimista para até 3 mil pessoas.
A iniciativa dá sequência às comemorações dos dez anos do festival, que em julho reuniu 25 mil pessoas em atividades no Museu Nacional da República. A proposta da Resenha é aproximar artistas e público em uma pista que atravessa gêneros como Funk, Kuduro, Afro House, Techno, Amapiano, Tribal House e Vogue/Ballroom.
A programação reúne Clementaum, Katy da Voz e as Abusadas, DJ K, Deejay Rifox, Faizal Mostrixx, Moesha 13, UMiranda e SASKIAVIBES. A curadoria de Guilherme Tavares busca aproximar cenas musicais que, apesar da distância geográfica, compartilham referências ligadas às diásporas africanas e à cultura das periferias.
Brasil na pista
Paranaense, Clementaum chega à Resenha após apresentações em eventos como Primavera Sound Barcelona, Unsound Festival, na Polônia, e Sónar Lisboa. Em 2026, a artista também ganhou projeção ao participar de “SEQUÊNCIA CUNT”, de Pedro Sampaio, um dos destaques do Carnaval.
Conhecida também como La Mayor, a DJ combina Funk, Techno, Tribal e ritmos eletrônicos latinos em seus sets. Já Katy da Voz e as Abusadas, do Grajaú, em São Paulo, aproximam Funk, Punk, Pop e música eletrônica em uma proposta marcada por experimentação e humor.
A faixa “GORDINHA MAS TÁ BOM” ajudou o trio a ampliar o alcance de seu trabalho para além das pistas. A apresentação integra a programação dedicada às novas possibilidades da música eletrônica produzida nas periferias brasileiras.
Também de São Paulo, DJ K, O Bruxo é um dos principais nomes do Funk Bruxaria, vertente do Mandelão marcada por distorções, graves intensos e pelo característico “tuin”. Cria do Baile do Helipa, em Heliópolis, o artista já passou pelo Dekmantel, em Amsterdã, e pelo Boiler Room, em Los Angeles.
Seu álbum “Pânico no Submundo”, lançado em 2023, foi produzido no quarto do artista e ajudou a consolidar sua pesquisa sonora. O trabalho chegou a receber avaliação positiva da imprensa internacional especializada.
África e diáspora
A Resenha Favela Sounds também marca a estreia no Brasil do português Deejay Rifox, produtor lisboeta de origem são-tomense. Ativo desde 2015, ele combina Afro House e Kuduro e se tornou um dos nomes da nova geração da música eletrônica dos subúrbios de Lisboa.
Entre seus trabalhos estão “Rebola Ti Txon”, parceria com a mãe, Tia Vivix, o EP “Capital do Txilo” e faixas como “Tás a Tocar Bwe”, “Maz Sabi” e “Pam Pam Pam”.
De Uganda, Faizal Mostrixx retorna ao Favela Sounds depois de participar da edição de dez anos do festival. Radicado no Rio de Janeiro, o DJ, produtor, dançarino e coreógrafo combina polirritmias do Leste Africano, Afro House, Amapiano, Footwork e música eletrônica.
O artista define sua pesquisa como “Tribal Electronics” e já se apresentou em festivais como Boom, em Portugal, Roskilde, na Dinamarca, e Womad, no Reino Unido.
Representando Mali e França, Moesha 13 apresenta uma pesquisa que a artista chama de “gadjicore”. A linguagem mistura Rap francês, Hardcore Techno, Gabba, Baile Funk, Kuduro, Reggaeton, Dembow e Afrobeat.
Radicada em Marselha, ela já passou pelo Nyege Nyege, em Uganda, e pelo clube Berghain, em Berlim. Moesha também é DJ residente da rádio britânica NTS.
Artistas do Distrito Federal
O Distrito Federal aparece na programação com UMiranda, que retorna ao Favela Sounds para abrir a noite com um set dedicado à música africana. Sua pesquisa passa por Amapiano, Kuduro, Afrobeat e Afro House.
O DJ está à frente do Africanize Sessions, projeto que acumula milhões de visualizações nas redes sociais, e já participou de eventos como Afropunk Brasil, Ensaios da Anitta e Festival Na Praia.
A programação também conta com SASKIAVIBES, produtora e DJ que pesquisa diferentes vertentes do Funk, do Mandelão à Bruxaria, em diálogo com Jersey Club, Drum n’ Bass e Vogue.
Integrante dos coletivos Incubs Nation e Fluxo, a artista já lançou músicas e sets por selos e plataformas da Espanha, Alemanha e Reino Unido. Entre seus trabalhos autorais estão “Céu Vermelho” e “Mandelão Experimental”.
Resenha Favela Sounds: além da música eletrônica periférica
Além da programação musical, o projeto terá uma oficina de montagem de estruturas de eventos na GEAMA do Paranoá, voltada a jovens egressos do sistema socioeducativo do Distrito Federal. A atividade busca oferecer experiência prática nos bastidores do mercado criativo.
O Resenha Favela Sounds também disponibilizará transporte gratuito para a festa, com rotas de ida e volta para Ceilândia, Samambaia, Planaltina, Gama e Santa Maria. Haverá ainda uma linha gratuita entre o CCBB Brasília e a Rodoviária do Plano Piloto durante a noite.
Com apresentação e patrocínio do Banco do Brasil e idealizado pela Um Nome – Agência Criativa, Resenha Favela Sounds é um projeto realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB), Governo Federal e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do DF.
+Leia mais: Festival Favela Sounds 2026 reúne 25 mil pessoas em Brasília
Serviço – Resenha Favela Sounds
Quando: 19 de setembro de 2026, sábado
Horário: 22h às 5h
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada a partir de 18 de setembro, pelo site e pela bilheteria física do CCBB
Mais informações: favelasounds.com.br


