Rael lança “Nas Profundezas da Onda”, seu novo álbum de estúdio, que chegou às plataformas digitais nesta quinta-feira (26). O cantor e compositor entrega 11 faixas inéditas, que transitam pelo afrobeat, boom bap, rap e reggae.
O lançamento chega após o disco “Onda” e dá continuidade a proposta apresentada ano passado, mas ampliando-a. Este período de tempo foi suficiente para Rael mergulhar ainda mais no conceito de liberdade, característica que sempre esteve presente em sua discografia.
Em conversa com a Billboard Brasil, ele explica:
“A gente tem a mesma vibração do ‘Onda’, os acordes maiores, tem alguma coisa com acorde menor também, mas os beats têm essa coisa solar. Só que [esse novo trabalho] tem uma profundidade no sentido de que eu trouxe outros apontamentos. Eu falo de saúde mental, da indústria, feminicídio, ecocídio… de todo o processo que tem por trás de um artista, entendeu? O fato da gente não ser só um disco ou hit de sucesso… tem um ano ali por trás que tem suas suas nuances”.
Com uma carreira consolidada, o cantor e compositor buscou mostrar um lado mais íntimo numa narrativa que traz um olhar crítico e observador. O álbum equilibra momentos introspectivos, faixas mais enérgicas e até canções românticas, repertório que foi despertado durante esse mergulho que só exaltou o que sempre fez parte de sua personalidade artística.
A busca por valorizar identidade também é um dos pilares do projeto, que não conta com participações. Para Rael, a autenticidade é importante em um cenário cada vez mais guiado por tendências.
“Então é uma coisa mais profunda mesmo, no sentido de quando você mergulha, você vê lá ou uma água turva ou você vê também a clareza de ver peixe, de ver coral. É toda essa brisa. A identidade é importante, mano. Importa você ser você. E a gente vive numa geração que é uma fila seguindo tendências, mas só que fica uma uma fila de copia e cola, entendeu? Eu venho de um de um momento, quando eu comecei, que o da hora era você ser você mesmo.”
Ao mostrar estar mais maduro, consciente e, ao mesmo tempo, inquieto, Rael não quer se deixar ser rotulado. Ele reflete sobre o impacto do algoritmo e da inteligência artificial na forma como o público consome música.
“Hoje em dia eu vejo as pessoas falando: ‘Mano, tá da hora o que você está fazendo, está soando igual o Drake ou o Travis Scott’. Então, acho que a identidade se perde nesse meio do caminho e a identidade vai se perdendo também até na questão das opções que você têm, por exemplo, playlist. Às vezes a gente delega muito ao algoritmo ou IA, eles escolhem o filme que você vai assistir, a música que você vai ouvir… você acaba não buscando o que você quer mesmo, você acaba aceitando o que foi empurrado para você. Então, acho que no disco eu abordo essas coisas também.”


