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Preços de PCs e consoles podem nunca mais voltar ao normal, alertam analistas da indústria


O preço dos hardwares dispararam nos últimos meses, em grande parte pela escassez de memória RAM, que estão sendo redirecionadas para uso nos datacenters de IA. Para os especialsitas, os aumentos ainda nem alcançaram o seu teto máximo, com novos reajustes devendo chegar em breve.

Mas e quando a escassez acabar? Será que teremos os preços retornando ao normal ou as empresas manterão os valores em alta?

Os preços vão voltar ao normal algum dia?

A capacidade das fábricas que produzem componentes está, em grande parte, comprometida até 2028 com os chamados “hyperscalers” — empresas que constroem data centers em escala gigantesca. Mesmo quando essa capacidade se expandir, James McWhirter, analista sênior da Omdia, avisa que levará tempo para a oferta se equilibrar com a demanda. E mesmo nesse cenário, um retorno aos preços anteriores a 2026 parece improvável para a maioria dos especialistas.

Tiago Reis, analista de marketing da Newzoo, é direto: “Nossa hipótese base é que a indústria está entrando em um período em que o piso de preços para hardware de games é provavelmente mais alto do que era antes. Isso não significa que os preços não possam cair, mas um retorno às expectativas de preços anteriores parece cada vez mais improvável.” Reis ainda compartilhou que 66% do tempo de jogo em PC em 2025 veio de jogos lançados há mais de seis anos, o que indica que grande parte dos jogadores mais ativos continuam dispostos a aproveitar experiências mais antigas que não exigem hardware.

Joost van Dreunen, professor da NYU Stern, foi mais incisivo ao afirmar que jogadores que esperam hardware mais barato terão que migrar para a nuvem: “Jogadores que dependem de um PC ou console gamer abaixo de $500 logo vão descobrir que ninguém está atendendo a eles. Em vez disso, espero que as grandes empresas de tecnologia tentem alugar para eles um PC ou console virtual na nuvem por uma mensalidade.”

Dr. Serkan Toto, CEO da consultoria Kantan Games, tem uma visão ligeiramente mais otimista. “Acredito que em 2028 e além, os componentes devem se tornar mais disponíveis novamente. Posso estar sendo otimista demais, mas o momento atual me lembra a crise de oferta dos primeiros dias da COVID, quando consoles eram difíceis de conseguir por meses. Na época, também era difícil imaginar um mundo com unidades de PS5 ou Xbox empilhadas até o teto nas lojas — o que se tornou realidade de forma bastante repentina após o conserto da cadeia de suprimentos.”

Rhys Elliott, chefe de análise de mercado da Alinea Analytics, lembra que o mercado deve se redistribuir, com maior ênfase em jogos lançados nos consoles que as pessoas já têm, descontos pesados em títulos AAA mais antigos, assinaturas e mobile. “Comprar novos títulos AAA no lançamento está se tornando algo mais de luxo, mas o catálogo acumulado de jogos, os títulos mobile, as assinaturas e os descontos pesados em títulos mais antigos significam que os games sempre vão continuar acessíveis para a maioria”, diz.

Por fim, Mat Piscatella, diretor sênior da Circana, encerrou com a frase mais marcante de toda a conversa: “É o momento mais ‘se agarre porque vai ficar feio’ que já vi em 20 anos na indústria, e isso ao mesmo tempo me preocupa e me entristece.”

 



Fonte: Video games

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