Se você frequenta as praias de Santos, certamente já reparou nas bandeiras coloridas hasteadas ao longo da orla. Mas você sabe exatamente o que elas significam?
Foto: CETESBEssas bandeiras são parte fundamental de um sistema de monitoramento que determina se a água está própria ou imprópria para banho, protegendo a saúde de milhares de banhistas.
Verde ou vermelha: o código da balneabilidade
O sistema é simples e direto: bandeira verde indica que a praia está própria para banho, enquanto a bandeira vermelha sinaliza que a água está imprópria para contato. Essa classificação não é aleatória, ela resulta de um trabalho técnico rigoroso realizado pelo Centro de Controle de Balneabilidade das Praias de Santos, localizado no Orquidário Municipal.
Como funciona o monitoramento
Em parceria com a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o Laboratório de Controle Ambiental de Santos coleta amostras de água três vezes por semana em sete pontos diferentes das praias santistas. As análises são realizadas a um metro de profundidade e buscam identificar a presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal, principalmente enterococos.
Os critérios seguem a Resolução nº 274/00 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em vigor desde janeiro de 2001. Uma praia é considerada imprópria quando apresenta concentrações de enterococos superiores a 100 UFC/100 mL em duas ou mais amostras de um conjunto de cinco, ou valores acima de 400 UFC/100 mL na última coleta.
Por que isso é importante?
O monitoramento da balneabilidade é essencial para prevenir doenças de veiculação hídrica. O contato com água contaminada pode causar gastroenterite, hepatite A, cólera, febre tifoide e outras infecções. Ao respeitar a sinalização das bandeiras, você protege sua saúde e a de sua família.
Além das bactérias fecais, outros fatores também tornam uma praia imprópria, como derramamento de óleo, ocorrência de maré vermelha, floração de algas tóxicas ou surtos de doenças transmitidas pela água.
Categorias de classificação
Quando a praia está própria, ela pode ainda receber três subcategorias:
- Excelente: a melhor qualidade possível
- Muito Boa: qualidade muito satisfatória
- Satisfatória: adequada para banho, mas com níveis bacteriológicos um pouco mais elevados

Tecnologia a favor da qualidade da água
Santos conta com um diferencial importante: o Sistema Integrado de Monitoramento de Comportas, operado pela Central das Comportas, localizada na antiga Ilha de Conveniência (Avenida Bartolomeu de Gusmão com Conselheiro Nébias). Esse sistema permite intervenções imediatas no fechamento e abertura das comportas que controlam o despejo de água dos canais no mar.
Antes da automação, os técnicos levavam cerca de uma hora para fechar ou abrir todas as comportas. Hoje, o processo leva apenas 12 minutos, permitindo respostas rápidas para preservar a qualidade da água das praias.
Classificação anual
Além do monitoramento semanal, a CETESB faz uma classificação anual das praias. Esse balanço oferece uma visão mais ampla da qualidade da água ao longo do ano.
As categorias variam entre “Ótima” (azul), “Boa” (verde), “Regular” (amarelo), “Ruim” (laranja) e “Péssima” (vermelho).
O relatório disponível no site da CETESB reúne dados de 2014 a 2023. Em 2020, no entanto, a pandemia de covid-19 reduziu o número de amostras coletadas.

Preste atenção aos sinais
Na próxima vez que for à praia, observe as bandeiras. Elas são seu principal guia para um banho de mar seguro e saudável. Em caso de bandeira vermelha, evite o contato direto com a água e aproveite a praia de outras formas, como uma caminhada na areia ou um momento de descanso à sombra que podem ser igualmente prazerosos e muito mais seguros.
O trabalho realizado em Santos serve de referência para outros municípios litorâneos do país e demonstra o compromisso da cidade com a saúde pública e a qualidade ambiental.
Lembrando que a coloração da praia não é indicador de que ela está poluída. A cor escura da praia santista é, na maior parte, um fenômeno natural.
Para informações atualizadas sobre a balneabilidade das praias, consulte os boletins semanais da CETESB.


