Após transformar Macaulay Culkin em um fenômeno mundial, Chris Columbus passou a encarar o estrelato infantil com outros olhos: a experiência que moldou decisões cruciais na escolha do elenco de Harry Potter.
Poucos diretores têm um histórico tão decisivo na construção de estrelas mirins quanto Chris Columbus. Ele esteve por trás do sucesso de Esqueceram de Mim, que levou Macaulay Culkin ao status de celebridade global, e também deu o pontapé inicial na franquia Harry Potter, dirigindo A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta. O impacto dessas produções foi imediato: apenas o primeiro filme do bruxo arrecadou 975 milhões de dólares e abriu caminho para um dos universos mais lucrativos do cinema.
Chris Columbus, no entanto, sabia que o sucesso de Harry Potter não seria uma surpresa. Diferentemente do que ocorreu com Culkin, a obra de J.K. Rowling já era um fenômeno antes mesmo de chegar às telas. “Nós filmamos Esqueceram de Mim e, em um ano, Macaulay Culkin se tornou uma estrela gigantesca, e isso foi inesperado. Não é como Harry Potter, em que você sabe que pode ser extraordinariamente bem-sucedido”, afirmou o diretor no documentário Child Star.
O motivo pelo qual Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint foram escalados em Harry Potter
A previsibilidade do sucesso trouxe um peso extra para a escalação de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. Columbus afirmou que vinha de uma família operária e já havia visto situações em que uma criança se tornava, de repente, o principal sustento da casa.
Essa preocupação estava diretamente ligada ao que testemunhou nos bastidores da vida de Culkin. Em entrevista ao The Guardian, o cineasta contou: “Quando terminamos, eu não sabia o que estava acontecendo. Não conhecíamos muito bem a família no início. As histórias são de arrepiar. Eu estava escalando uma criança que realmente tinha uma vida familiar problemática”.
O próprio Culkin falou abertamente sobre o pai, Kit Culkin. Em depoimento à New York Magazine, relatou: “Eu ganhava sabe-se lá quanto dinheiro, e o Kit me fazia dormir no sofá só porque podia. Para mostrar quem mandava”. Em outro momento, lembrou: “Eu disse que precisava de um tempo fora, que não estava indo à escola como gostaria. Ele respondeu ‘claro’, e logo depois eu já estava no próximo set”.
Ao lidar com Harry Potter, Columbus decidiu agir diferente. “Eu sentia uma responsabilidade enorme”, afirmou. “Isso vai ser o resto da sua vida como estrela mirim. Esse será o seu legado”. Por isso, além dos atores, os pais passaram a ser parte central do processo. “Percebi que era tão importante escalar os pais quanto as crianças. Não vale a pena fazer um filme se o ator volta para um ambiente instável”, concluiu.
Fonte: Filmes e Séries


