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Por que o Wii U fracassou? Reggie aponta atraso das principais franquias como causa


O Wii U passou à história como um dos maiores tropeços da Nintendo e agora, Reggie Fils-Aimé, ex-presidente da Nintendo of America, foi a público explicar o que levou o console ao fracasso. Em uma sessão de perguntas e respostas no NYU Game Center, ele apontou dois fatores centrais: o atraso na chegada de exclusivos como Smash Bros., Mario Kart e Splatoon, e a pressão exercida pela nova geração de consoles da Sony e da Microsoft.

Fils-Aimé abriu o assunto com uma certa ironia ao perguntar à plateia quantos tinham comprado um Wii U. Ao ver uma boa parte da audiência levantar a mão, ele brincou que a resposta era “chocante“. Em seguida, colocou o console em perspectiva histórica: “O Wii U foi a segunda plataforma com pior desempenho da Nintendo”, afirmou. “Só perdendo para o Virtual Boy.”

A aposta no GamePad e a sombra do Wii Sports

Para o ex-executivo, a concepção do Wii U partia de uma ideia que ele chamou de combinação entre uma TV e uma tela de 10 polegadas, referindo-se a tela do GamePad. A proposta era criar modos de jogo variados: ora todos jogando na TV, como em Mario Kart, ora um jogador com uma experiência distinta dos demais pelo controle. “Acreditávamos que isso criaria oportunidades para diferentes tipos de gameplay”, explicou.

O problema começou a aparecer ainda no lançamento, com o NintendoLand, a coletânea de minigames que acompanhou o console. Fils-Aimé admitiu que a ideia era que o jogo fosse o equivalente do Wii Sports para aquela geração, mas ele mesmo não ficou convicto: “Eu joguei, não me levantei e disse ‘esse software não está funcionando para mim’, mas aquela coceirinha no fundo do pescoço que diz ‘ééé… isso não é Wii Sports’. Você sente isso.”

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O atraso dos exclusivos e a virada da Sony e Microsoft

O primeiro ano de vendas chegou a ser razoável, segundo Fils-Aimé, mas o cenário mudou rapidamente. “Enquanto os jogadores olhavam para a próxima geração da Sony e da Microsoft, nossas vendas travaram de verdade”, disse ele. “A outra coisa que aconteceu foi que o ritmo de novos produtos que tínhamos visto no papel não se materializou no prazo que precisávamos.”

O time estava desenvolvendo um novo Smash Bros., Mario Kart e Splatoon, que Fils-Aimé reconhece ter se tornado “uma franquia fantástica para a Nintendo”, mas os jogos simplesmente não chegaram rápido o suficiente. “Depois do segundo ano, ficou claro que não teríamos o sucesso que precisávamos”, concluiu.

As medidas de emergência: SKU branco, indies e os microconsoles

Com o console em estado crítico, Fils-Aimé assumiu o que ele chamou de papel do “executivo comercial” e tomou uma série de decisões para conter os danos. A primeira foi eliminar o SKU branco, a versão com menos memória do Wii U, já que o volume de vendas não era suficiente para manter os parceiros varejistas satisfeitos.

Em paralelo, a Nintendo intensificou sua relação com desenvolvedores independentes, apostando em lançamentos digitais. Fils-Aimé reconhece que essa foi a semente de uma parceria que floresceria de vez no Nintendo Switch. E, para sustentar as vendas de hardware nas temporadas de fim de ano, a empresa lançou os microconsoles NES Classic e SNES Classic em anos consecutivos. “Fizemos isso para sustentar nosso negócio, porque precisávamos de algo para vender em volume na temporada de festas. Era uma série de iniciativas comerciais, sabendo muito bem que o Wii U estava em suporte de vida.”

A reunião com Iwata e o nascimento do Switch

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A virada de página mais significativa veio em março de 2016, quando Fils-Aimé foi convocado ao Japão por Satoru Iwata, então presidente da Nintendo, e ainda desistiu de comemorar seu aniversário para atender ao chamado. A reunião tinha dois propósitos. O primeiro, pesado: Iwata queria comunicar pessoalmente que seu câncer havia voltado. “Pensávamos todos que ele havia vencido o câncer, mas ele queria me dizer pessoalmente que havia voltado. Falamos sobre isso por cerca de uma hora“, relembrou Fils-Aimé.

Na sequência, Iwata “virou a chave”, nas palavras do próprio Fils-Aimé. “Agora precisamos falar sobre o futuro.” Foi naquela reunião que os dois traçaram o planejamento de lançamento do que se tornaria o Nintendo Switch: os softwares, o preço, a estratégia de lançamento. O console chegou às lojas em março de 2017.

Os números contam a história sozinhos. O Wii U encerrou sua produção com 13,56 milhões de unidades vendidas em pouco mais de quatro anos. O Switch, até o momento, já passou de 155 milhões de unidades. O Switch 2, por sua vez, já marca 19,86 milhões de unidades em menos de um ano. “Quando você tem um negócio em apuros, você sabe”, disse Fils-Aimé. “E quando você sabe, precisa agir de forma decisiva.”

Fonte: IGN



Fonte: Video games

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