Bahast, um novo dark fantasy idle ARPG lançado recentemente no Steam, acendeu um debate intenso entre desenvolvedores independentes após seu criador publicar uma divulgação controversa sobre o uso de inteligência artificial generativa no desenvolvimento do jogo. A justificativa foi recebida com críticas duras por boa parte da comunidade.
Tudo começou com o aviso exibido na página do jogo no Steam e assinado por um desenvolvedor solo, dizendo o seguinte: “Este jogo usa IA em vários lugares. Como desenvolvedor solo, era quase impossível lançar este jogo em um prazo razoável ou agir com base no feedback sem utilizar a IA como ferramenta. Fico feliz em reduzir o uso de IA se o jogo for financeiramente estável o suficiente com o seu apoio! Obrigado antecipadamente se um dia tivermos essa oportunidade.”
“if you pay me maybe I’ll use LESS AI” is a new desperate plea I haven’t seen before
— Aura/Moom (@moomanibe.bsky.social) 2026-07-07T02:19:17.415Z
A desenvolvedora e animadora Aura Triolo, conhecida no Bluesky como Aura/Moom, foi direta em sua crítica: “‘Se você me pagar, talvez eu use MENOS IA’ é um novo apelo desesperado que eu não tinha visto antes.” O argumento de desenvolvedor solo, frequentemente usado para justificar escolhas de produção, também foi contestado por outros devs que trabalham nas mesmas condições e não recorrem à IA generativa.
David Lindsey Pittman, da Minor Key Games, estúdio por trás de Eldritch, foi direto ao ponto: “A questão do ‘sou apenas um pequeno desenvolvedor solo’ também não funciona para nós, devs solos e de equipes pequenas, que fizemos coisas sem usar a máquina de roubo de arte.”
Alexandre Stroukoff, membro do estúdio Alblune que conta apenas com duas pessoas e responsável pelo jogo de palavras cruzadas Squeakross, foi ainda mais incisivo: “Aprenda a delimitar o escopo e pare de ser um bebê chorão.”
O desenvolvedor solo conhecido como Mtgames trouxe um argumento pessoal para a discussão: “Estou literalmente desempregado e ainda faço todos os meus assets à mão. Por quê? Porque é DIVERTIDO.”
Quem também entrou na conversa foi Ryan Nurse, desenvolvedor solo da Altrix Studios e criador dos jogos da série Prism. Ele colocou em perspectiva o argumento financeiro: “Se excluirmos a taxa de publicação do Steam e os US$ 5 que gastei para comprar o TIC-80 Pro em 2019, não gastei um centavo sequer desenvolvendo Prism Indigo ou Prism Warriors. ‘Não tenho dinheiro’ é uma desculpa furada para usar IA generativa no seu jogo.”
O caso de Bahast não é isolado. O argumento de que a IA generativa é uma necessidade para estúdios menores ou desenvolvedores solos é um dos pontos de maior atrito no debate sobre o uso da tecnologia na indústria.
Fonte: GamesRadar+
Fonte: Video games


