Hideaki Anno tem suas próprias opiniões sobre a expansão internacional do anime.
Na última década, testemunhamos uma explosão tremenda do anime internacionalmente, que agora é um fenômeno de massa que gera milhões em bilheteria. Os sucessos cinematográficos de Demon Slayer e Chainsaw Man demonstram, mais uma vez, que o anime não é mais um gênero de nicho, e séries como Solo Leveling já são consideradas sucessos de bilheteria internacionais, apesar de ainda não terem alcançado destaque comercial no Japão.
É normal que os estúdios de anime estejam atentos a isso e criando suas novas séries e filmes pensando em um público internacional. Mas Hideaki Anno, criador de Neon Genesis Evangelion, tem uma opinião bem diferente.
Sempre foi assim – e continuará sendo
Em uma entrevista recente à Forbes Japão, Anno refletiu sobre o estado atual da indústria de anime. Embora certos estúdios e plataformas como o Disney+ estejam desenvolvendo conteúdo mais adequado ao público internacional, Anno acredita que o anime deve ser criado especificamente para a sensibilidade japonesa e que os espectadores internacionais devem se adaptar a ela.
TV Tokyo
“Pessoalmente, nunca criei uma obra pensando no mercado internacional. Só consigo fazer coisas em nível nacional”, afirmou Anno. “Se, por sorte, pessoas do exterior também acharem interessante, ficarei muito grato.”
“O público precisa se adaptar à obra”
Segundo o diretor, muitos estúdios estão se esforçando para conquistar uma fatia do mercado internacional, mas isso não lhe interessa. Em vez disso, ele quer se concentrar em garantir que seus projetos sejam bem recebidos pelo público japonês, visto que o anime possui códigos culturais específicos. Anno acredita que tanto a linguagem quanto suas nuances culturais são partes integrantes da mídia e não podem ser comprometidas sem que o anime perca sua identidade.
“Uma obra construída a partir de processos de pensamento japoneses é naturalmente difícil de entender fora da língua japonesa”, continuou Anno. “É um drama sobre pessoas agindo com base em emoções enraizadas no pensamento japonês. Se as pessoas conseguirem entender isso, acredito que será compreendido em outros lugares, mas não posso adaptar minha obra para que se encaixe neles. Sinto muito, mas o público precisa se adaptar à obra.”
Em certa medida, Anno se inspira em seu antigo mentor, Hayao Miyazaki, que também faz seus filmes para si mesmo e sem se preocupar com o público (nacional ou internacional), e acredita que são os espectadores que devem aceitar a obra como ela é, sem que os autores precisem se adaptar aos seus gostos e sensibilidades, já que, no fim das contas, é impossível agradar a todos.
Fonte: Filmes e Séries


