Nome que carrega mais de duas décadas de pista de dança, Steve Angello é uma das figuras mais influentes da música eletrônica. Em 2026, o artista chegou pela primeira vez ao line-up do Rock in Rio. O show aconteceu na sexta-feira (4), primeiro dia do festival, encerrando a programação do palco New Dance Order, dedicado à música eletrônica.
Foi nos bastidores do festival que Steve Angello concedeu entrevista exclusiva à Billboard Brasil, falando sobre a estreia no Rock in Rio, a relação com o público brasileiro, os 20 anos de carreira, o legado da Size Records e o que ainda o motiva a subir a um palco.
Perguntado se o Rock in Rio era mesmo uma lacuna na sua trajetória, já que já tinha tocado tantas vezes no Brasil, Steve Angello confirmou rindo: “Preciso conferir a lista, mas sim”. A estreia no festival, disse ele, não muda a relação antiga que já tem com o país. “É bom. Eu gosto do Rio, não toco muito aqui. Estou animado, gosto do clima daqui”, contou.
Sobre a energia do público brasileiro, historicamente descrita como mais intensa do que a de outros países, o DJ foi direto: “apaixonado mesmo”.
Com duas décadas de carreira e uma rotina de festivais ao redor do mundo, ele contou se ainda sente aquele impacto de ver uma multidão reagindo à sua música. Para ele, a sensação de surpresa nunca desapareceu, mesmo depois de tantos anos. “Sabe, quando você está em casa, sempre no estúdio, fica imaginando como é lá fora. Eu já viajei o mundo inteiro, sou muito sortudo, e gosto disso. Amo viajar, amo as culturas, amo a comida. É bom, especialmente aqui no Brasil”, afirmou.
Além de sua carreira solo, Steve Angello também é um dos três integrantes do Swedish House Mafia, ao lado de Axwell e Sebastian Ingrosso, trio que ajudou a moldar o som do progressive house global.
A conversa também passou por um episódio marcante ao lado do grupo. No último fim de semana, eles tinham apresentações confirmadas em seu país natal, a Suécia, em Gothenburg, mas o primeiro show teve que ser cancelado devido a uma tempestade. Foi então que, entristecido com o acontecimento, o trio decidiu fazer um show surpresa e gratuito para milhares de pessoas.
Steve Angello lembrou o momento com carinho: “A gente ficou muito mal por todo mundo que tentou ir ao show. Então precisávamos fazer algo especial. Por sorte, o estádio também estava disponível no sábado, então tivemos um show à noite, mas queríamos fazer algo diferente. Postamos nas redes sociais, à uma da manhã, ‘nos vemos amanhã na praça’. E apareceram 40, 50 mil pessoas. Foi muito bom”. E, ao ser perguntado se aquele foi um dos melhores momentos da carreira, não hesitou: “provavelmente, sim”.
Paralelamente à carreira como DJ, Steve Angello fundou a Size Records, selo que se tornou plataforma para uma nova geração de produtores da cena eletrônica, ajudando a lançar carreiras. O artista falou também sobre o que mais o orgulha ao olhar para a trajetória da gravadora.
“Acho que o mais importante pra mim foi encontrar artistas jovens que precisavam de uma plataforma. Essa foi a melhor parte, achar gente de dezesseis, dezessete anos, sem gravadora, que realmente queria fazer e lançar música. Poder fazer isso, ajudar os mais jovens, foi o melhor de tudo”, disse.
Sobre os planos futuros do selo, adiantou: “Continuar procurando, continuar ajudando. Tem muita coisa acontecendo nos próximos anos. A gente ainda está descobrindo vários artistas, apoiando a cultura, deixando as pessoas lançarem discos e se divertirem. E eu também vou lançar música”.
Para fechar, Steve Angello resumiu o que ainda o move, tanto no estúdio quanto no palco: “É uma sensação incrível, porque você fica ali, na sua própria cabeça, cria alguma coisa, e depois vai testar e ver a reação das pessoas. Essa é a droga que eu escolhi”.


