Com Bella Hadid, Evan Peters e Ryan Murphy entregando o que fazem de melhor: deixando as pessoas desconfortáveis e provocando debates.
Se A Substância te deixou com o estômago embrulhado e a cabeça cheia de perguntas incômodas sobre adoração ao corpo, preste atenção nesta série: The Beauty: Lindos de Morrer. Ela acaba de estrear no Disney+ e é exatamente o tipo de série que você assiste com uma mão cobrindo um olho enquanto a outra busca online análises sobre como ela consegue representar de forma tão eficaz e alegórica o mundo em que vivemos (ou o mundo para o qual podemos estar caminhando).
Qual é a história de The Beauty?
Ryan Murphy está de volta com um thriller que mistura moda, crime e horror corporal para questionar, sem sutileza: até onde estaríamos dispostos a ir para alcançar a perfeição física? A premissa é tão provocativa quanto perturbadora: um vírus sexualmente transmissível transforma seus portadores em versões fisicamente impecáveis de si mesmos… mas a um preço altíssimo. Tão alto, aliás, que o futuro da humanidade pode estar em risco…
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Dois agentes do FBI (Evan Peters e Rebecca Hall) investigam uma série de mortes que ocorrem no circuito internacional da moda, enquanto um vírus se espalha pelas passarelas, corpos com cirurgias plásticas e uma indústria que sempre promete beleza eterna, mas nunca menciona as letras miúdas. No fim das contas, The Beauty não trata apenas de pessoas bonitas morrendo (literalmente), mas de como o desejo pela perfeição acaba desumanizando tanto aqueles que a buscam quanto aqueles que a vendem.
The Beauty: Lindos de Morrer é a série perfeita para os fãs de A Substância
As comparações com A Substância são inevitáveis. Ambas as obras compartilham uma obsessão pelo corpo como um campo de batalha pós-apocalíptico e empregam o horror corporal como linguagem narrativa: a carne se transformando, se deformando, nos traindo. Mas enquanto o filme de Coralie Fargeat focava no terror íntimo, quase existencial, de uma mulher confrontando seu próprio envelhecimento, Ryan Murphy amplia o escopo, transformando a beleza em uma epidemia e uma arma de controle. Aqui, o horror reside não apenas no espelho, mas no sistema que o sustenta.

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O fato de o horror corporal estar vivendo sua era de ouro não é coincidência. Na era do Ozempic, filtros indetectáveis e também retoques milagrosos, essas histórias funcionam como uma reação visceral tão necessária quanto inevitável. São ficções que levam ao extremo uma realidade que já é desconfortável por si só.
Embora valha a pena notar que The Beauty nem sempre se aprofunda tanto quanto poderia em seu comentário social, consegue perturbar os espectadores ainda mais do que A Substância. Exibe tanto corpos desejáveis (Bella Hadid é a protagonista) quanto corpos violados, lembrando-nos de que toda promessa de perfeição muitas vezes vem acompanhada de violência, mesmo que disfarçada e oculta.

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Se você gostou de A Substância pelo que disse (e como disse), esta série lhe parecerá uma continuação natural dessa conversa. Talvez menos íntima e ainda mais brutal, mas igualmente perturbadora. Ideal para quem aprecia terror que não apenas assusta, mas deixa uma impressão duradoura e faz refletir. Os três primeiros episódios, de um total de onze, já estão disponíveis, com novos episódios lançados todas as quartas-feiras.
Fonte: Filmes e Séries


