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“Não tínhamos demissões antes”: dev da Bethesda critica mudanças após aquisição pela Microsoft


Um artista da Bethesda Game Studios veio a público relatar como a aquisição pelo conglomerado Microsoft transformou profundamente a cultura interna do estúdio e não para melhor. Em entrevista ao Kotaku, Alex Nguyen, artista da Bethesda, descreveu um ambiente de trabalho marcado por demissões recorrentes que, segundo ele, simplesmente não existiam antes da chegada da Microsoft.

“Desde que estamos sob a Microsoft… parece que algo mudou. Não tínhamos demissões antes, e de repente passamos a ter demissões anuais”, declarou Nguyen. A declaração foi feita durante a semana do Save Our Devs rally, mobilização organizada pelo sindicato Communications Workers of America e pelo sindicato Bethesda Game Studios OneBGS, realizada simultaneamente. O ato tinha como objetivo “denunciar as demissões e a ganância corporativa na indústria” e exigir contratos coletivos justos nos estúdios de games da Microsoft.

O custo invisível das demissões: conhecimento institucional perdido

Nguyen foi além da crítica aos números e apontou um problema estrutural que as demissões em série causam dentro dos times: a erosão do conhecimento institucional. “Se apenas cinco pessoas sabiam como determinada coisa funcionava e você dispensa todas as cinco, isso destrói o moral, porque é como se a gente já soubesse disso, e agora precisa aprender tudo de novo“, explicou.

O artista também lembrou que jogos que se tornaram casos de recuperação bem-sucedida, como Fallout 76 e Elder Scrolls Online, só chegaram a esse patamar graças a tempo e mão de obra suficientes. Para ele, o modelo atual da Microsoft inviabiliza esse tipo de processo de longo prazo.

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“Era o lugar onde eu ia me aposentar”

Além das questões técnicas, Nguyen descreveu o que se perdia em termos de identidade e pertencimento. Segundo ele, havia uma cultura de comprometimento de longo prazo tanto na Bethesda quanto nos demais estúdios da antiga Zenimax e era exatamente isso que segurava talentos por décadas.

É por isso que muitas pessoas tinham uma longa permanência aqui”, disse Nguyen ao Kotaku. “E elas pensavam: ‘sim, é aqui que vou me aposentar’, ou ‘é aqui que vou encerrar minha carreira’, ou ‘adoro estar aqui porque quero ficar na indústria por muito tempo’. Isso era basicamente um dos benefícios de estar na Bethesda ou em um estúdio da Zenimax em geral.”

Discursos corporativos versus a realidade dos cortes

O relato de Nguyen ganha peso ainda maior quando colocado ao lado das declarações públicas das lideranças da Xbox ao longo dos últimos anos. O ex-chefe da divisão, Phil Spencer, chegou a afirmar que “nutrir e proteger times criativos que querem correr riscos” era a prioridade máxima, declaração feita menos de dois anos após a aquisição da Blizzard resultar em 1.900 demissões.

A atual presidente da Xbox, Asha Sharma, recentemente realizou um enorme “reset” da divisão, que veio acompanhado do corte de 3.200 postos de trabalho. Para os desenvolvedores que vivem sob essa tensão cotidiana, a distância entre o discurso e a prática corporativa está cada vez mais difícil de ignorar.

Fonte: PC Gamer



Fonte: Video games

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