Com créditos em Rango, Baú da Morte e O Chamado, cineasta não tem papas na língua para demonstrar sua aversão ao uso exagerado de inteligências artificiais.
Gore Verbinski está de volta com um novo e ousado projeto, seu primeiro desde 2017. Após quase dez anos longe das telonas, o cineasta tem muito a dizer -e para isso, apresenta uma ficção científica que coloca os holofotes nas possibilidades vis do excessivo uso de inteligências artificiais.
Este é Boa Sorte, Divirta-se e Não Morra
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Intitulado Boa Sorte, Divirta-se e Não Morra, o novo filme quebra um longo hiato do cineasta responsável por projetos como Rango, Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, A Cura e O Chamado.
Ao misturar ação, aventura, ficção científica e comédia, a trama se passa numa noite caótica em Los Angeles, quando um homem que diz ter vindo do futuro (Sam Rockwell) surge no meio de um jantar. Sua missão? Ele precisa recrutar um grupo disposto a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial ameaçadora.
“Não quero que ela respire ou faça sexo por mim”

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Como o próprio filme já coloca a inteligência artificial em um lugar de ameaça, o diretor conversou com o The Hollywood Reporter sobre sua relação com a ferramenta. “Por que a IA está me ajudando a compor uma música ou contar uma história? Eu não quero que ela respire ou faça sexo por mim; eu quero que ela cure o câncer”, disse Verbinski ao veículo.
Ele continua citando suas expectativas sobre o que IAs deveriam ser capazes: “Mande alguma coisa por um buraco negro; faça algo que nós não conseguimos fazer. Ou cave uma vala; faça as coisas que não queremos fazer. Por que ela está atacando justamente as coisas que precisamos fazer para sermos seres humanos?”
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Para o realizador, o modo como as pessoas estão utilizando a inevitável ascensão da tecnologia terá – e já tem – efeitos nocivos à humanidade. “Estes são os anos de formação da IA, e de certa forma estamos interferindo nela. O que ela está fazendo conosco — e o que estamos fazendo com ela? Não sei se alguém está se fazendo essa pergunta”, questiona Verbinski. “Não há a sensação de que ela tenha nascido livre das nossas interferências.”
Ele ainda critica o uso de IA por outros cineastas e confirma que tem recebido propostas que adicionam a ferramenta ao trabalho no cinema. “Já participei dessas reuniões com executivos. São muito rápidas. Eles falam sobre IA e o futuro da indústria”, revelou. “Já me apresentaram propostas de empresas que vão desenvolver novas maneiras de fazer filmes com IA a um custo menor. Quantas páginas você tem? Porque eu poderia me estender sobre o que penso a respeito disso tudo.”
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Para promover o filme, o diretor resolveu utilizar uma tática interessante: estava dando ingressos para artistas que perderam o emprego ou foram substituídos por IAs. “Acreditamos que você deve ganhar algo com a ‘revolução’ da IA””, dizia a promoção feita apenas nos Estados Unidos.
Boa Sorte, Divirta-se e Não Morra estreia em 16 de abril nos cinemas brasileiros.
Fonte: Filmes e Séries


