A Circana, principal firma de análise de vendas do mercado americano, deixou de contar com dados digitais da Microsoft a partir do relatório referente ao mês de julho de 2026. A decisão, confirmada pela própria empresa, significa que os números de vendas de jogos publicados sob as marcas Xbox, Activision e Bethesda passarão a ser estimativas, em vez de reportados com precisão real.
A Circana, que durante anos operou sob o nome NPD, é referência no levantamento mensal de vendas de hardware e software nos Estados Unidos. O modelo de negócio da empresa funciona assim: publishers parceiros, como Sony e Bandai Namco, entregam seus dados de vendas digitais, que são então combinados com informações coletadas diretamente de varejistas físicos. O resultado é uma compilação dos jogos mais vendidos do período, que a firma agrega e vende como inteligência de mercado para clientes do setor.
Microsoft is no longer a digital panel participating publisher.
— Mat Piscatella (@matpiscatella.bsky.social) 2026-08-20T13:39:56.868Z
Microsoft se junta a Nintendo e Take-Two
Com a saída da Microsoft, a Circana terá que recorrer a projeções para cobrir um dos maiores portfólios da indústria. A empresa de Redmond não é a primeira a tomar essa posição: Nintendo e Take-Two já não compartilhavam dados digitais com a firma há vários anos. A diferença agora é que a Circana passou a introduzir estimativas para publishers que não participam do programam, o que, inevitavelmente, introduz uma margem de erro nos relatórios.
O movimento não se limitou ao mercado americano. A Microsoft também encerrou o fornecimento de dados para o GSD, rastreamento europeu equivalente à Circana. A decisão paralela reforça que se trata de uma mudança de postura mais ampla da companhia em relação à transparência de suas métricas de vendas.
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O que muda na prática?
No curto prazo, o impacto mais direto é a perda de precisão nos relatórios mensais. Franquias como Call of Duty, Diablo e os títulos do catálogo da Bethesda, que têm forte presença digital, passarão a aparecer nos ranks com números estimados, não reais. Para analistas, jornalistas e até estúdios concorrentes que usam esses dados como referência de mercado, isso representa um ponto cego considerável.
A questão que fica em aberto é se outras publicadoras vão seguir o mesmo caminho. Das grandes donas de uma plataforma, a PlayStation agora é a única que continua fornecendo seus dados de vendas digitais para a Circana e outros rastreadores.
Por ora, a tendência da indústria parece caminhar cada vez mais para o hermetismo em relação a números de vendas, um movimento que dificulta qualquer análise séria do mercado.
Xbox já não revelava vendas dos consoles há anos
Essa mudança de postura não era inesperada. A Microsoft e Xbox não divulgavam mais o número exato de consoles vendidos há alguns anos. A empresa deixou de reportar unidades por volta de 2015 e passou a divulgar principalmente a receita de hardware e suas variações.
Em 2026, a Microsoft continua seguindo esse modelo: seus resultados informam se a receita de hardware subiu ou caiu, mas não quantos consoles foram vendidos. Por isso, quando o assunto é hardware, números divulgados por empresas como VGChartz e Ampere devem ser tratados como estimativas, e não como dados oficiais da Microsoft.
Fonte: Video games


