
João Bosco no palco com a Medalha UBC (Duda Valladão)
João Bosco recebeu nesta terça-feira (1º) a Medalha UBC, homenagem da União Brasileira de Compositores dedicada a nomes que ajudaram a construir a música nacional. A cerimônia aconteceu na Casa UBC, no centro do Rio de Janeiro, e reuniu artistas de diferentes gerações em torno do repertório do cantor, compositor e violonista.
Bosco acompanhou boa parte da homenagem sentado com a família e com o amigo Zeca Pagodinho, que ocupava a mesma mesa. No palco, Laura de Castro, Pedro Luís, Joyce Alane, Juliana Linhares e Badi Assad revisitaram composições de diferentes períodos de sua carreira.
A medalha foi entregue por Wilson Simoninha, diretor-presidente da UBC. Aos 80 anos, Bosco recebeu a distinção como um reconhecimento, mas também como uma cobrança para seguir compondo.
“É uma honra para mim receber essa medalha pelo que a gente vem fazendo, mas, acima de tudo, também aceito esse desafio de continuar trabalhando, criando e justificando essa distinção”, disse João Bosco à Billboard Brasil.
Tributo percorre repertório de João Bosco
Com direção musical de Julinho Teixeira, o pocket show começou a transformar versos anotados na memória brasileira em um passeio pelo cancioneiro de Bosco.
Laura de Castro interpretou “De Frente pro Crime”, parceria de João Bosco com Aldir Blanc. Pedro Luís ficou com “Kid Cavaquinho”, outra composição da dupla. Joyce Alane cantou “Papel Machê”, parceria de Bosco com Capinam.
Juliana Linhares interpretou “O Ronco da Cuíca”, enquanto Badi Assad apresentou “Linha de Passe”, composição de Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio.
Ao fim do tributo, João Bosco assumiu o palco. Cantou sucessos como “Nação”, “Incompatibilidade de Gênios” e “Corsário”, encerrando a cerimônia com parte do repertório construído ao lado de Aldir.
A presença do letrista, morto em 2020, atravessou toda a noite. Ela já aparecia na declaração divulgada por Bosco antes da homenagem, na qual o compositor dividia a medalha com os parceiros, intérpretes e o público. Na conversa com a Billboard Brasil, a lembrança ganhou contornos pessoais.
João Bosco lembra amizade com Aldir Blanc

Bosco e Aldir Blanc formaram uma das parcerias centrais da música brasileira a partir dos anos 1970. Juntos, assinaram canções como “O bêbado e a equilibrista”, “De Frente pro Crime”, “Corsário”, “Incompatibilidade de Gênios”, “Kid Cavaquinho” e “O mestre-sala dos mares”.
Para João, separar sua trajetória da do parceiro não faz sentido.
“Eu sempre disse uma frase que ficou célebre, que eu acho que não existe João sem Aldir. Eu já disse isso, estou dizendo aqui agora e vou dizer sempre.”
A ausência aparece também nas lembranças que escapam das sessões de composição. Bosco recordou as conversas por e-mail e o hábito de Aldir, médico de formação, de distribuir orientações de saúde aos amigos.
“Eu sinto muita falta da nossa amizade e das nossas mensagens por e-mail, das receitas médicas que ele me dava, dos conselhos de medicina que ele costumava dar aos amigos, menos para si mesmo, porque realmente ele nunca se importou com a própria saúde. A única coisa com que o Aldir se preocupava na vida era com os seus livros. Esses, sim, ele amava.”
Bosco encerrou a lembrança citando “Sonho de Caramujo”, uma parceria lançada no álbum “Não vou pro céu, mas já não vivo no chão”, do ano de 2009. Na canção, Aldir constrói primeiro um autorretrato e depois volta o olhar para o parceiro.
“Na segunda parte, ele fala como se fosse eu”, explicou João, antes de chegar ao verso que resume a imagem: “Eu moro dentro da casca do meu violão.”


