A decisão da Sony de encerrar a distribuição de jogos em mídia física nos próximos anos pode gerar consequências maiores do que o esperado para o PlayStation. Segundo John Linneman, integrante do Digital Foundry, desenvolvedores e publishers com quem conversou durante a GamesCom demonstraram forte insatisfação com a mudança, especialmente empresas menores que ainda dependem significativamente das vendas físicas.
Durante uma conversa sobre o futuro do mercado de consoles, Linneman contou que participou recentemente de um evento no qual teve a oportunidade de conversar diretamente com diversos profissionais da indústria desde o anúncio do fim dos discos.
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Desenvolvedores e publishers estariam desanimados
Segundo Linneman, a reação que encontrou entre desenvolvedores e representantes de publishers foi predominantemente negativa. O motivo está relacionado ao peso que as vendas físicas ainda possuem para determinadas empresas.
“O lado da indústria das coisas não está positivo agora sobre o que está acontecendo. Muito ressentimento pelo que a Sony fez. Eles estavam, em grande parte, muito chateados”, afirmou Linneman.
O integrante do Digital Foundry explicou que conversou com várias companhias que ainda obtêm uma parcela significativa, e em alguns casos sendo a maior parte, de seu retorno financeiro por meio da comercialização física de seus jogos.
Para os grandes estúdios AAA, a situação tende a ser menos preocupante. Essas empresas possuem estruturas maiores e dependem cada vez mais da distribuição digital. O problema, segundo Linneman, está principalmente nos negócios menores e em publishers que ainda encontram no varejo uma importante fonte de receita.
“Os grandes parceiros, os grandes estúdios AAA, não se importam. Eles estão bem”, comentou. “Mas isso vai ter alguns efeitos bastante negativos.”
Switch 2 pode ganhar espaço
Uma das consequências que Linneman percebeu nas conversas com profissionais da indústria é uma possível mudança de prioridades. O especialista afirmou ter ficado com a impressão de que algumas dessas empresas pretendem colocar mais foco no Nintendo Switch 2, justamente para manter uma alternativa viável para o lançamento de jogos físicos.
A plataforma da Nintendo continua oferecendo espaço para lançamentos em mídia física, algo que pode se tornar ainda mais importante caso o PlayStation abandone completamente os discos.
Linneman, entretanto, deixou claro que isso não significa que publishers simplesmente deixarão de lançar seus jogos no PlayStation. A questão seria mais sutil: a decisão da Sony pode começar a influenciar onde determinadas empresas concentram seus esforços e como enxergam cada plataforma.
Sony pode acabar prejudicando sua própria posição
O ponto central da análise de Linneman é que a Sony não necessariamente sairá ilesa dessa transformação. Ele reconheceu que os grandes títulos continuarão chegando ao PlayStation, mas argumentou que a empresa não pode assumir que sua posição dominante permanecerá intocável independentemente das decisões tomadas.
“Digo, eles estão eliminando, sem que isso seja culpa deles, o conceito de um console de preço acessível voltado ao grande público. Estão eliminando a possibilidade de possuir, trocar ou vender seus jogos”, comentou. Para ele, existe um risco de que a retirada gradual de recursos considerados importantes pelos consumidores faça com que parte do público comece a olhar para outras plataformas.
Além disso, ele também enxerga essa situação como uma vantagem a mais para o PC, que oferece um ecossistema consideravelmente mais aberto. Além da maior liberdade de hardware e software, o PC permite que o consumidor escolha diferentes lojas, plataformas e formas de adquirir seus jogos.
Nesse cenário, a remoção dos discos poderia acabar tornando o PlayStation menos atraente para determinados consumidores que valorizam a propriedade e a liberdade associadas aos jogos físicos. “Quanto mais coisas você tira dos usuários, mais eles começam a olhar para outras opções“, resumiu Linneman durante a conversa.
Fonte: Video games


