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Há 26 anos, os irmãos Coen se anteciparam a Christopher Nolan e adaptaram A Odisseia em um de seus melhores filmes – Notícias de cinema


Eles também deram uma olhada superficial na obra.

O mundo do cinema está se preparando para o lançamento, em 2026, da versão de Christopher Nolan para A Odisseia de Homero. E embora pareça ser o principal projeto épico-literário do diretor, outros cineastas já haviam adaptado a obra para o cinema antes dele se aventurar por esse território, ainda que com abordagens radicalmente diferentes.

Joel e Ethan Coen adaptaram A Odisseia mais de 20 anos antes com E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, e o mais incrível é que fizeram isso praticamente às cegas, pois nunca leram o texto original. Eles mesmos admitiram isso, rindo da situação, com a única exceção do ator Tim Blake Nelson, que o havia estudado na universidade.

Qual é a história de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?

Walt Disney Studios Motion Pictures

Em plena Era da Depressão Americana, três prisioneiros de uma cadeia do Mississipi conseguem escapar da prisão. São eles: Everett Ulysses McGill (George Clooney), o doce e amável Delmar (Tim Blake Nelson) e sempre zangado Pete (John Tuturro).

Sem nada a perder e ainda presos por correntes, o trio embarca na aventura de suas vidas, na tentativa de conquistar sua liberdade e retornar aos seus lares. Só que um xerife misterioso parte para tentar recapturá-los, criando problemas para os prisioneiros foragidos.

Uma odisseia sem Homero e sem pesquisa

Para começar, os irmãos Coen não só declararam que não tinham lido o poema, como também admitiram que mal pesquisaram o contexto histórico do sul dos Estados Unidos, onde ambientaram a história (1937). Mas esse é precisamente o ponto: E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? opera com a mesma lógica do mito original, ainda que através da lente caótica e surreal dos irmãos Coen.

Ao longo da jornada, o filme entrelaça referências a Homero sem se ater a um rigor acadêmico estrito: sereias cantando no rio, um Ciclope transformado em um pregador da Ku Klux Klan (John Goodman), um vidente cego que prevê o futuro e até mesmo a crença absurda de que as sereias transformaram Pete em um sapo.

Em meio a saltos, fugas e delírios, algo inesperado acontece: o trio se torna um fenômeno musical graças a “Man of Constant Sorrow”. Tudo isso demonstra que não é preciso ler A Odisseia para captar seu espírito, pois os irmãos Coen trabalham mais com a intuição narrativa do que com a erudição.

O mais fascinante é que agora a responsabilidade está nas mãos de Nolan, que precisa traduzir a história do classicismo, em vez de misturá-la com música folclórica, racismo institucional, depressão econômica e humor absurdo.

Enquanto Nolan se prepara para mergulhar na mitologia grega a partir de uma perspectiva cinematográfica maximalista — onde os protagonistas se assemelham a super-heróis — e sem se preocupar com a precisão histórica no processo de adaptação, crescem as expectativas para ver o que ele nos reserva. Embora, por ora, pareça que ele apenas tenha se inspirado na obra original de Homero, priorizando a grandiosidade épica em detrimento do contexto histórico.



Fonte: Filmes e Séries

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