O gerente de QA do estúdio por trás de Helldivers 2 foi ao LinkedIn para fazer um desabafo duro sobre as demissões em massa que vêm sacudindo a indústria de games, e não poupou palavras ao falar sobre as lideranças da Ubisoft e do grupo Embracer. Dave Gallacher, gerente de QA da Arrowhead Game Studios , que passou 10 anos na DICE antes de entrar na Arrowhead este ano, disse sem rodeios que não consegue entender como os executivos dessas empresas não foram presos.
“Cada ponto estrutural da nossa indústria é controlado por dinheiro, e aqueles que o têm foram idiotas gananciosos pelos últimos 10 anos ou mais”, escreveu Gallacher como resposta às demissões coletivas. “Como as lideranças da Ubisoft e da Embracer não estão presas é algo que absolutamente me escapa, pelas táticas suspeitas que usaram, e as vítimas são justamente esses milhares de desenvolvedores talentosos que esperamos que consigam conjurar dinheiro do éter para abrir estúdios.”
Um cenário que só piora
Essa não é a primeira vez que Gallacher desabafa. Numa publicação anterior, feita enquanto a Microsoft anunciava o corte de 3.200 postos de trabalho no Xbox, descrito como a maior reestruturação da história da divisão, o gerente já havia dado o tom do que sente sobre o momento atual da indústria: “Pelos últimos 3 anos, tenho usado a frase ‘esse ano vai ser um banho de sangue’, em relação à indústria de games. E de alguma forma fica pior a cada ano.”
O quadro que Gallacher descreve tem dados concretos por trás. A Ubisoft caminha para totalizar 4.000 demissões desde 2022. O grupo Embracer destruiu o equivalente a US$ 2 bilhões em aquisições, fechando estúdios, cancelando projetos e encenando o que o próprio gerente chama de “a linha do tempo sombria”.
A EA, ex-empregadora de Gallacher, teria demitido desenvolvedores de Battlefield 6 após um lançamento que a própria empresa chamou de o maior da franquia, com cerca de 20 milhões de cópias vendidas. A Epic Games, por sua vez, eliminou mais de 1.000 empregos após frustração com a queda de engajamento de Fortnite, um jogo que gerou US$ 26 bilhões.
Crítica ao uso de IA e ao destino do dinheiro
Em outro trecho de suas publicações, Gallacher apontou o dedo para onde, na sua visão, os recursos das empresas estão sendo direcionados: “Onde está indo esse dinheiro? Um CEO desiludido falando em alcançar ‘bilhões de jogadores’ enquanto despeja os salários recém-roubados de Devs talentosos na máquina de plágio [IA]. Essa é com certeza a linha do tempo mais sombria.”
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


