Shuhei Yoshida, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment, se pronunciou sobre a polêmica decisão da Sony de encerrar a produção de discos físicos para jogos novos a partir de 2028 e sua posição vai na contramão da revolta generalizada dos consumidores. Em entrevista ao GamerBraves, Yoshida afirmou que não consegue entender por que o fim do físico seria “um grande problema”.
Vale lembrar que Yoshida deixou a empresa no início do ano passado e, por isso, foi pego de surpresa pela decisão: “Eu não sabia que eles estavam planejando isso“, disse. Mesmo assim, ele não demonstrou oposição à medida. O argumento central dele é direto: como a maioria dos jogos físicos já exige downloads adicionais de qualquer forma, o disco em si teria perdido parte de seu valor prático.
“Mesmo com jogos em disco físico, na maioria dos casos, os desenvolvedores estão constantemente atualizando e adicionando dados ao jogo“, explicou. “Quem escolhe comprar uma versão física ainda precisará baixar novos patches, DLC ou atualizações. Então, não ter um disco — não entendo se isso é um problema tão grande.”
Em tom mais pessoal, Yoshida deixou claro que ele próprio já não usa mídia física há tempos: “Pessoalmente, sou um consumidor totalmente digital. Não quero gerenciar discos ou trocar discos. Quero todos os meus jogos no meu dashboard e simplesmente selecionar e jogar. Sou completamente digital.”
A posição de Yoshida, porém, não conta toda a história. A comunidade DoesItPlay, dedicada à preservação de jogos, mantém um banco de dados com testes de jogabilidade offline de títulos físicos. De acordo com as estatísticas do site, 73% dos 3.527 jogos físicos testados não precisam de nenhum download adicional para funcionar. Apenas 10% se enquadram na categoria mais crítica, sendo títulos com conteúdo essencial ausente no disco ou com bugs tão graves que tornam o jogo praticamente injogável sem um patch.
Isso significa que, sim, uma parcela significativa dos jogos físicos já nasce incompleta. Mas a maioria ainda oferece uma experiência completa direto do disco, o que enfraquece o argumento de que o físico já seria, na prática, apenas uma chave para um download.

Mercado de usados e consumidores mais econômicos
Yoshida também tocou em dois pontos sensíveis do debate: o mercado de segunda mão e o acesso a jogos por um preço menor. No primeiro caso, ele foi mais direto ao reconhecer o impacto: “Para quem opta por comprar ou vender jogos, a falta de discos pode se tornar um problema.”
Já em relação às preocupações de quem não consegue pagar o preço cheio no lançamento, o ex-executivo foi mais otimista, talvez otimista demais para parte do público: “As pessoas poderão esperar uma promoção e comprar os jogos que querem por um preço menor. Acho que as publishers e as plataformas continuarão a oferecer essas oportunidades para quem não consegue pagar o valor integral no lançamento.”
A declaração ignora que o mercado físico de usados frequentemente oferece preços muito menores do que qualquer promoção digital.
E quanto aos colecionadores?
Para os colecionadores, Yoshida deixou uma abertura. Ele reconheceu que “seria uma pena se os jogos físicos não estivessem mais disponíveis para colecionar” e sugeriu que edições de colecionador ainda poderiam existir no modelo de “código na caixa”, referenciando o que foi anunciado para GTA 6.
Do lado corporativo, a Sony continua inabalável. A diretora financeira Lin Tao declarou recentemente que a empresa “não vê que haverá qualquer impacto negativo nos negócios“, mesmo reconhecendo as “visões fortes” contrárias à decisão. A reação dos fãs, no entanto, segue intensa: o State of Play de Phantom Blade Zero foi inundado nos comentários com mensagens do tipo “sem disco, sem compra”, algo que se repete nas redes sociais e nos vídeos da PlayStation no YouTube.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


