Harvey Smith, ex-diretor criativo da Arkane Austin, voltou a comentar os problemas de Redfall e reconheceu que o estúdio não deveria ter trabalhado em um jogo no modelo de games as a service. Atualmente CEO da Black Pony Immersive, Smith afirma que o projeto acabou se afastando das principais especialidades da equipe.
Em entrevista, Smith descreveu Redfall como um projeto que simplesmente não conseguiu encontrar sua identidade. Segundo ele, a decisão de desenvolver um jogo como serviço colocou a Arkane Austin em uma direção incompatível com sua experiência em immersive sims. “Aquele foi um jogo que não deu certo, e, para ser honesto, nunca deveríamos ter trabalhado em um jogo como serviço”, comentou.
Redfall foi lançado em 2023 como um shooter de mundo aberto focado em multiplayer, colocando os jogadores contra vampiros na cidade fictícia de Redfall. A recepção negativa acabou marcando um dos períodos mais difíceis da história da Arkane.
O lançamento também foi seguido por consequências bastante severas para o estúdio. Cerca de um ano depois, a Microsoft anunciou o fechamento da Arkane Austin, resultando na perda de empregos para quase 100 desenvolvedores.
Desenvolvedores ainda voltaram para terminar o jogo
Apesar dos problemas, parte da equipe continuou tentando melhorar Redfall mesmo depois do lançamento. Após o fechamento do estúdio, desenvolvedores chegaram a pedir à Microsoft uma oportunidade para retornar e concluir a atualização 1.4.
O pedido acabou sendo atendido, permitindo que antigos funcionários voltassem temporariamente ao projeto para finalizar aquele que se tornou o último grande patch do jogo. Smith acredita que a versão final de Redfall possui alguns momentos capazes de mostrar o potencial que existia por trás do projeto. “Havia pontos positivos, e, se você jogar a versão totalmente atualizada, a 1.4, algumas pessoas conseguem tirar algo dela”, afirmou.
Vários problemas se acumularam no lançamento
Ben Horne, produtor executivo da Black Pony que também trabalhou em Redfall, acredita que diversos fatores negativos acabaram convergindo simultaneamente durante o lançamento. Entre eles estavam o preço de US$ 70 e a ausência de um modo de desempenho a 60 FPS no Xbox no lançamento.
Horne explica que a equipe havia optado por adiar o modo porque havia percebido que o jogo mantinha uma taxa de quadros razoável, mas apresentava quedas perceptíveis. A intenção era lançar o recurso posteriormente, depois de aprimorá-lo. A decisão, porém, acabou se tornando outro ponto de crítica contra o jogo.
Para Horne, o problema fundamental era ainda mais profundo: a Arkane estava tentando desenvolver algo que estava fora de sua principal área de especialização. “Estávamos trabalhando em algo que estava simplesmente fora da nossa experiência”, admitiu o produtor.
A equipe havia construído sua reputação justamente com jogos como Dishonored e Prey, experiências conhecidas por oferecer liberdade de exploração, sistemas interconectados e grande foco nas escolhas do jogador. Em contraste, Redfall foi concebido como um shooter multiplayer de mundo aberto com elementos de serviço contínuo, um território muito diferente daquele no qual o estúdio havia construído sua experiência.
Black Pony quer voltar às raízes da Arkane
O fracasso de Redfall também acabou influenciando diretamente a nova fase profissional de Smith e Horne na Black Pony Immersive. Smith afirma que é necessário aprender com o que aconteceu, proteger a equipe tanto quanto possível e retornar ao tipo de desenvolvimento pelo qual eles realmente são apaixonados.
Horne reforça que voltar a fazer aquilo que a equipe sabe melhor se tornou a principal prioridade. A Black Pony ainda não revelou seu primeiro projeto oficialmente, mas, considerando a experiência de seus fundadores e as declarações sobre a nova direção do estúdio, tudo indica que o próximo jogo será novamente um immersive sim.
Fonte: PC Gamer
Fonte: Video games


