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Dona Beja ou Dona Beija? Descubra a forma correta de escrever o nome da personagem histórica interpretada por Grazi Massafera – Notícias Visto na Web


A novela centrada na mulher que se tornou uma lenda em Araxá, Minas Gerais, teve um título diferente no passado, com uma leve mudança na grafia.

Dona Beja, a nova aposta da HBO Max, traz Grazi Massafera no papel-título e aposta em uma trama marcada por romances intensos, reviravoltas e vinganças. A novela é uma releitura do clássico exibido em 1986 pela extinta Manchete e, desde que chegou ao streaming, uma dúvida passou a circular entre o público: afinal, o correto é Dona Beja ou Dona Beija?

A versão original, escrita por Wilson Aguiar Filho com colaboração de Carlos Heitor Cony, se chamava Dona Beija. Protagonizada por Maitê Proença em uma atuação marcante, a novela retratava a história real de Ana Jacinta de São José, uma mulher à frente de seu tempo que se tornou uma figura lendária em Araxá, no interior de Minas Gerais.

O que poucos sabem é que o título consagrado pela Manchete foi fruto de uma licença poética. Embora Ana Jacinta realmente tivesse um apelido, ele não era exatamente o mesmo que ficou popularizado pela antiga novela, o que ajuda a explicar a mudança adotada pela HBO Max.

Dona Beja ou Dona Beija?

Na versão exibida pela Manchete, o nome aparece como Dona Beija, com um “i” no meio da palavra. No entanto, essa grafia não corresponde à forma como a cortesã era conhecida na vida real. Ainda jovem, Ana Jacinta ganhou do avô o apelido Dona Beja, em referência à sua beleza, delicadeza e formosura, comparadas a uma flor chamada “beijo”.

No português falado, é comum que muitas pessoas pronunciem “bejo” no lugar de “beijo”, em um fenômeno fonético conhecido como monotongação, que elimina a semivogal, no caso o “i”. E foii assim que Ana Jacinta ficou conhecida na região de Araxá e dessa forma seu nome acabou registrado, ao longo dos anos, em livros e relatos históricos.

Essa grafia também aparece nas obras que inspiraram a novela: Dona Beja, a Feiticeira do Araxá, de Thomas Othon Leonardos, e A Vida em Flor de Dona Beja, de Agripa Vasconcelos, reforçando a escolha do título adotado na nova versão do folhetim.

HBO Max

Até hoje, nunca ficou claro se a Manchete optou por mudar o título para Dona Beija por considerá-lo mais sonoro ou simplesmente mais fácil de pronunciar para o público. O fato é que, do ponto de vista histórico, a grafia não corresponde à forma correta.

Qual é a história real de Dona Beja?

Para quem não sabe, Ana Jacinta de São José (1800–1873) realmente existiu. Órfã e criada pelos avós, ela era considerada a jovem mais bela de Araxá, em Minas Gerais, por conta da pele clara, dos cabelos loiros e dos olhos claros. Aos 15 anos, teve sua vida transformada quando foi raptada por Joaquim Inácio Silveira da Motta, ouvidor do rei Dom João VI.

Obrigada a viver como amante, ela permaneceu como refém por cerca de dois anos e, ao conseguir retornar a Araxá, encontrou um cenário hostil. Em vez de ser acolhida por conta dos traumas que sofreu, Ana Jacinta foi julgada e responsabilizada pelo que lhe aconteceu, rotulada como uma mulher sedutora e de “comportamento questionável”.

Diante do julgamento social e do conservadorismo, decidiu escandalizar a sociedade e usar o dinheiro recebido de Motta para fundar um luxuoso bordel. O espaço, batizado de Chácara do Jatobá, passou a receber figuras influentes da época, incluindo personalidades da Corte, e consolidou Dona Beja como uma das cortesãs mais famosas do Brasil Império.

Posteriormente, já aos 50 anos, Dona Beja decidiu encerrar as atividades do casarão e mudou-se para Bagagem, atual Estrela do Sul, também em Minas Gerais, onde passou a viver de forma mais discreta e se tornou empresária do ramo de diamantes. Ela faleceu em 1873, aos 73 anos, possivelmente em decorrência de nefrite, deixando duas filhas.



Fonte: Filmes e Séries

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