Quando o “Gladiador Francês” se transforma em um pesadelo, o resultado é este filme amaldiçoado que destruiu carreiras e ambições.
Concebido como o “Gladiador francês”, A Lenda de um Guerreiro, ambicioso filme estrelado por Christophe Lambert, acabou se tornando um fracasso retumbante. Como resultado, a carreira do ator sofreu um baque gigantesco – e o diretor nunca mais entrgou outro longa-metragem! Na indústria cinematográfica, um único projeto pode, por vezes, manchar permanentemente a carreira de um cineasta. Os motivos são frequentemente inúmeros: conflitos entre produtores e diretores, orçamentos exorbitantes, tensões no set, exibições de teste desastrosas ou críticas devastadoras.
A Lenda de um Guerreiro vivenciou quase todos esses obstáculos, tornando-se um exemplo perfeito do que uma filmagem amaldiçoada pode representar.
Ambição excessiva
Originalmente, Jacques Dorfmann queria criar um filme francês à altura dos sucessos de bilheteria de Hollywood, mas o sonho se transformou em pesadelo. Em uma entrevista à So Film em junho de 2021, Dorfmann refletiu sobre a experiência: “Dizem que você constrói uma armadura, mas eu nunca consegui. Claro que, quando se é uma figura pública, não se pode reclamar da opinião das pessoas. Mas, mesmo assim, dói.”
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Ele acrescentou: “Cometi erros na direção, nos figurinos e nas perucas. Deveria ter mantido tudo mais simples. Para mim, este filme não era nada parecido com um blockbuster. Só os americanos sabem como fazer isso. Era apenas um filme francês, artesanal e ambicioso.”
Problemas desde a pré-produção
Foi um verdadeiro desafio desde o início. Guillaume Depardieu, inicialmente escalado para o papel principal, teve que desistir após um grave acidente. As filmagens foram transferidas para a Bulgária para reduzir custos e aproveitar paisagens semelhantes às da região de Auvergne, na França. Mas, uma vez lá, as tensões rapidamente surgiram: o governo búlgaro queria ter voz ativa no filme, equipamentos desapareceram devido à falta de pagamento de técnicos locais, e 80% da equipe era búlgara, o que complicou ainda mais a coordenação.
“Estávamos sempre atrasados, em tudo. Às vezes, chegávamos a filmar durante 24 horas seguidas”, disse Dorfmann.

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O próprio diretor estava passando por um período difícil, tendo perdido o pai no início das filmagens, e lutava contra o luto e o alcoolismo. O clima no set era tenso: Klaus Maria Brandauer, que interpreta César, se recusava a sair de seu trailer, enquanto Christophe vivia uma experiência amarga.
Uma filmagem caótica
Lambert relembra: “Quando o diretor chega já bastante bêbado às 8 da manhã e às 15h está desmaiado, bêbado como um gambá, no meio dos figurantes, gritando ‘fim das filmagens!’, a situação fica incontrolável.”
A relação entre ator e diretor deteriorou-se, pondo fim a quaisquer planos para uma trilogia sobre grandes heróis franceses: “Tínhamos planejado continuar juntos. Eu deveria fazer uma trilogia sobre os grandes heróis da história francesa. E Christophe faria parte disso”, especificou Dorfmann.
O filme foi duramente atacado pela imprensa. Étienne Lerbret, assessor de imprensa do filme na época, recorda as dificuldades em agendar entrevistas: “Muitos jornalistas não queriam se encontrar com o diretor.”
Vinte anos depois, a lembrança permanece dolorosa para Jacques Dorfmann, que não dirigiu mais nenhum filme até sua morte em 25 de agosto do ano passado. A Lenda de um Guerreiro será lembrado como um projeto grandioso que custou caro a todos os seus atores e técnicos, ilustrando os perigos da ambição excessiva no cinema.
Fonte: Filmes e Séries


