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Diretor do Tomorrowland Brasil fala sobre bastidores


Mario Sergio, diretor do Tomorrowland Brasil, na Hot Beats Music Conference (@Bruno_contrino)

Mario Sergio, diretor do Tomorrowland Brasil, na Hot Beats Music Conference (@Bruno_contrino)

Foi durante o Hot Beats Music Conference deste ano, evento que reuniu entusiastas e profissionais da cena eletrônica, que Mario Sérgio Albuquerque, diretor geral do Tomorrowland Brasil, conversou com a Billboard Brasil sobre os bastidores da marca e os planos para a próxima edição, marcada para 30 de abril a 2 de maio de 2027, novamente no Parque Maeda.

O festival é a etapa brasileira de uma narrativa global batizada de Consciencia, que começa no Tomorrowland Bélgica ainda este mês, com dois fins de semana em julho, segue para o Tomorrowland Tailândia em dezembro e se encerra no Brasil no ano que vem.

Como será o Tomorrowland Brasil 2027

Sem edição em 2026, a organização usou o tempo extra para reforçar a estrutura interna. “O tempo a mais que a gente teve foi utilizado muito para processos internos, desenvolvimentos necessários, coisa que a gente nunca tinha, porque eu tava sempre cumprindo o cronograma”, contou Mario Sérgio. Segundo ele, o período serviu para “olhar para dentro”: time, pessoas e processos. “Trabalho a todo vapor”, resumiu.

Um dos pontos que mais chamam atenção na edição brasileira é a reação dos artistas internacionais, que costumam se emocionar com o público daqui – caso do sueco Axwell, que já comentou sobre o Tomorrowland Brasil em outros festivais pelo mundo. Para o diretor, isso é reflexo direto do temperamento brasileiro.

“O brasileiro é emocional, é passional, e isso o artista sente quando está no palco: essa energia extra”, disse. Ele compara o fenômeno ao que acontece no futebol, especialmente em época de Copa do Mundo, e defende que essa característica deve ser usada como diferencial do festival. “Isso tem que ser utilizado como diferencial para eles escolherem estar conosco.”

Tomorrowland Brasil 2025 (Foto: reprodução)
Tomorrowland Brasil 2025 (Foto: reprodução)

Essa identidade brasileira também orienta as decisões de produção. Mario Sérgio é direto ao explicar que o Tomorrowland nasceu como um produto belga e que isso não muda: o mainstage e palcos como o Core seguem os mesmos de todas as edições ao redor do mundo. O que varia é o tempero.

“O que a gente quer é ter uma pitadinha brasileira, com características nossas, para trazer um tempero adicional”, afirmou. Para ele, o país já é, por si só, um destino desejado internacionalmente, o que reforça a lógica de dar espaço a essa identidade local. “Por que a gente, que também é um produto brasileiro, não pode ter a nossa pitadinha?” A meta, segundo o diretor, é que o público internacional que frequenta a edição brasileira “só vá encontrar aquilo no Brasil”.

Essa mistura de identidade nacional e comunidade do Tomorrowland Brasil aparece com força no Dreamville, a área de acampamento do festival, que reúne entre 15 e 16 mil pessoas de quinta a segunda-feira. Para Mario Sérgio, o espaço é onde a experiência do Tomorrowland Brasil se torna mais completa.

“Quando você vive essa experiência de entrar na quinta-feira e sair na segunda-feira, você realmente vive aquilo de uma forma imersiva e total”, disse. Segundo ele, todos os estados brasileiros já passaram pelo Dreamville, assim como parte das 103 nacionalidades presentes no festival como um todo. “O Dreamville faz parte do DNA do Tomorrowland, é um diferencial, e quero muito que cresça a cada ano”, afirmou o diretor.

Tomorrowland Brasil 2025 - Dreamville (foto: divulgação)
Tomorrowland Brasil 2025 – Dreamville (foto: divulgação)

Antes de ser um festival, o Tomorrowland é um universo construído desde 2005, quando os irmãos belgas Manu e Michiel Beers reuniram cerca de 10 mil pessoas no parque De Schorre, em Boom, na Bélgica. De lá para cá, o evento virou referência mundial da música eletrônica e ganhou versões em outros países, entre elas o Brasil, que recebeu sua primeira edição em maio de 2015, no Parque Maeda, em Itu (SP).

Depois de uma segunda edição em 2016, o festival ficou seis anos fora do calendário nacional, retornou em 2023 e, no ano seguinte, teve a permanência confirmada por mais uma década.



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