O desenvolvedor solo Mateo Covic, criador do jogo de co-op Paddle Paddle Paddle, voltou a se pronunciar sobre a polêmica com a política de reembolso da Steam e foi categórico: ele jamais vai inflar um jogo com conteúdo extra só para escapar da janela de duas horas que a plataforma da Valve usa como critério padrão para reembolsos.
A discussão ganhou tração nas últimas semanas depois que Covic chamou atenção publicamente para um comportamento que ele classificou como abuso da política: jogadores que concluíam Paddle Paddle Paddle, deixavam uma avaliação positiva no jogo e ainda assim pediam o reembolso, alguns chegando a se vangloriar desse feito nas próprias avaliações. O título é um jogo curto, o que o coloca diretamente na mira desse tipo de prática, já que pode ser zerado dentro da janela de duas horas estipulada pela plataforma. Vale lembrar que esse tipo de conduta é proibida pelas próprias regras da Valve, mas isso não impede que parte dos jogadores tente.
Dev se recusa a inflar o jogo
Muita gente sugeriu a Covic que a solução seria simples: fazer um jogo mais longo ou com mais rejogabilidade para ultrapassar o limite de duas horas. Ele descartou a ideia com firmeza. “Um jogo fica pronto quando está pronto, e eu nem penso no tempo de jogo durante o desenvolvimento”, afirmou. “Quero desenvolver jogos pequenos, divertidos e acessíveis, e até agora ninguém teve problema com isso. Paddle Paddle Paddle teve críticas fantásticas, os streamers adoraram, e fiquei muito feliz com o resultado.”
“Eu nunca vou esticar um jogo com mais conteúdo só para evitar reembolsos. Vou engolir e aceitar os reembolsos no futuro, e esse tweet me mostrou que a Steam é um mercado difícil, mas não estou disposto a mudar minha abordagem de desenvolvimento”, completou.
Apesar da crítica ao sistema, Covic deixou claro que se considera “100% a favor dos reembolsos” e que reconhece que a política da Valve é positiva para os jogadores no geral. Ele também admite que a porcentagem de jogadores que efetivamente abusa do sistema é pequena.

A lição que veio de Makis Adventure
A postura de Covic tem embasamento prático. Anteriormente ele tentou exatamente o que muitos sugerem: expandiu um de seus jogos anteriores, Makis Adventure, com conteúdo adicional. O resultado foi que, mesmo com avaliações positivas na Steam, as seções extras se tornaram o elo mais fraco do jogo. Makis Adventure até registrou um tempo médio de jogo maior, mas Paddle Paddle Paddle, mais curto e mais focado, teve uma performance incomparavelmente melhor.
Para reforçar o argumento em favor dos jogos curtos, Covic cita A Short Hike, que ele zerou em cerca de uma hora e meia e descreve como “provavelmente uma das melhores noites que tive com um jogo”, e a série Fears to Fathom como exemplos do tipo de experiência que o mercado ainda valoriza. São os tipos de jogos que ele mais gosta de fazer agora, e nenhuma pressão de mercado vai mudar isso.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


