Um filme que se tornou impossível de encontrar: A versão original de A Bruxa de Blair continua sendo um tesouro quase inacessível 30 anos após seu lançamento.
Lançado em 28 de julho de 1999, A Bruxa de Blair conquistou o mundo. Filmado com um orçamento apertado de US$ 60.000 no estilo found footage, este pequeno filme independente arrecadou US$ 248 milhões mundialmente, tornando-se um dos filmes de maior bilheteria de todos os tempos (e um fenômeno absoluto para seu orçamento). Hoje, porém, é quase impossível encontrar a versão original idealizada por seus diretores, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez.
O filme narra os eventos de outubro de 1994 e acompanha três jovens cineastas — Heather Donahue, Joshua Leonard e Michael C. Williams (sim, eles mantiveram os nomes reais dos atores) — que desaparecem durante uma caminhada na Floresta de Black Hills enquanto filmavam um documentário sobre uma lenda de bruxaria. Um ano depois, as filmagens que fizeram são descobertas, registrando a jornada e os eventos perturbadores que ocorreram na mata. Na narrativa do filme, os três permanecem desaparecidos até hoje.
Mas a produção não conquistou apenas as bilheterias. O impacto do filme foi enorme: popularizou a tendência do found footage, tornou-se um clássico do terror e deu origem a duas sequências — A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras e o reboot de 2016, Bruxa de Blair.
A versão original: um tesouro (quase) inacessível
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Como aponta o site Collider, a versão original do filme, aquela concebida por Myrick e Sánchez, é muito difícil de encontrar. O produtor Mike Monello explica: “Em 1999, os filmes não eram inicialmente filmados em vídeo, então não havia um processo padronizado para transferi-los para esse formato. Eles procederam como faziam com todos os filmes na época: transferiram o negativo de 35mm para vídeo.”
Infelizmente, esse método alterou a estética pretendida pelos cineastas: “O negativo de 35 mm não é o negativo verdadeiro da câmera [original]. Portanto, a versão divulgada ao público está incorreta. As cores, o movimento, os cantos arredondados estranhos — não parecia um vídeo amador.”
Ninguém previu, mas 19 anos e 8 filmes depois, o décimo filme de uma saga famosa se tornou o melhor da franquia
Esse estilo singular, difícil de replicar artificialmente, só poderia ser alcançado com uma cópia fiel. O lançamento em vídeo doméstico da versão correta ocorreu apenas em alguns países, onde os fãs sortudos puderam conferir a versão que finalmente captura “o visual que desejávamos há 25 anos”, segundo Monello. Ele acrescenta: “Esta é a primeira (e até agora única) edição do filme. Finalmente, ele tem a mesma aparência de quando o editamos. É exatamente como o imaginávamos.”
E sim, esta edição continua muito difícil de obter. Ela é compatível apenas com alguns aparelhos, limitando sua reprodução a certas zonas e a edição limitada já está esgotada, os poucos exemplares restantes são vendidos por valores entre US$ 270 e US$ 300 no eBay (cerca de R$ 1.700).
O reboot e as tensões com os atores originais

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O anúncio de um novo reboot pela Blumhouse, em 2024, gerou atrito com o trio original. Joshua Leonard acusou o uso não autorizado de sua imagem e revelou que, ao contrário dos rumores de um acordo de US$ 4 milhões, ele e os colegas receberam apenas US$ 300 mil pela participação no primeiro filme.
Em resposta, Heather, Joshua e Michael passaram a exigir voz ativa, compensação financeira e a criação de uma bolsa de US$ 60 mil para novos cineastas. Leonard argumentou que as refilmagens anteriores falharam justamente por ignorar a equipe criativa original, que seria a “arma secreta inexplorada” da franquia.
Em meados de 2025, através do site ScreenGeek, Michael C. Williams deu notícias positivas, indicando que a Lionsgate e a Blumhouse o tinham ouvido, que estavam em negociações e que ele se sentia “valorizado” no rumo futuro da franquia — embora os termos específicos não tivessem sido divulgados. Até o momento, porém, nenhum anúncio público confirmou que todas as exigências foram formalmente acordadas.
Atualmente, A Bruxa de Blair está disponível na Netflix, mas lembre-se: provavelmente não é a versão original “perdida” que os diretores idealizaram.
Fonte: Filmes e Séries


