Christopher Judge, a voz de Kratos nos jogos da franquia God of War, veio a público esclarecer declarações que foram interpretadas como um interesse em assumir o papel do personagem na série live-action da Amazon: ele não quer o papel, e a razão é mais simples do que parece.
Tudo começou durante a FanExpo Boston, onde Judge criticou uma prática que considera comum nas adaptações de games para outras mídias. “Você tem uma propriedade preexistente e bem-sucedida, e a primeira coisa que faz é não contratar ninguém associado a ela“, disse ele. O ator ainda foi além, referenciando The Last of Us: “Não faço ideia de por que você não pega esse elenco, esses escritores, especialmente quando vai fazer episódios que são remakes cena a cena do jogo.”
As falas rapidamente circularam pela internet e muita gente leu nas entrelinhas uma candidatura ao papel de Kratos na série, já que Ryan Hurst, escalado originalmente para o personagem, precisou abandonar o projeto após se machucar durante as gravações, o que forçou a refilmagem de quatro episódios completos. Só que não era nada disso.
“Velho demais”, diz o próprio Judge
Nas redes sociais, Judge foi direto ao ponto para desfazer o mal-entendido. “Eu sei. Como meus filhos me dizem, sou velho demais“, escreveu ele, com bom humor. O ator, que ficou amplamente conhecido por anos como protagonista de Stargate SG-1, deixou claro que não está disputando o papel com ninguém.
“Espero sinceramente que encontrem alguém tão grande quanto Ryan“, completou. “Eu estava falando mais sobre nossos escritores e devs. Quero muito que eles recebam o amor e o respeito que merecem. Espero isso para todos os escritores e desenvolvedores dos jogos que amamos.”
O ponto real: escritores e devs fora das adaptações
O argumento central de Judge vai além do seu próprio caso. Ele aponta para um padrão da indústria em que os profissionais que construíram o universo original de um game raramente são chamados para colaborar quando esse universo migra para o cinema ou a TV. Ele ainda citou os escritores de Stargate como exemplo do que considera “o melhor” que a televisão e o cinema têm a oferecer.
E o histórico dá razão a ele, pelo menos em parte. Em adaptações como Fallout, Castlevania, Cyberpunk: Edgerunners e The Witcher, há pouquíssima ou nenhuma participação direta de quem trabalhou nos jogos originais. A principal exceção notável é Neil Druckmann, que contribuiu de forma significativa para a produção de The Last of Us no HBO. Mas ele é exatamente isso: uma exceção.
O ator Dave Bautista recentemente assumiu o papel. Judge, por sua vez, continuará sendo a voz inconfundível do personagem nos games e, aparentemente, um dos defensores mais vocais dos profissionais que ficam nos bastidores dessas adaptações.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


