O Microsoft CoPilot foi retirado do ecossistema Xbox no início de maio, e agora a executiva responsável pela decisão finalmente explicou o raciocínio por trás do movimento. Em participação no Bloomberg Live, Asha Sharma, chefe do Xbox, foi direta: os jogadores de console simplesmente não estavam interessados na ferramenta.
A remoção pegou o mercado de surpresa, especialmente porque, semanas antes, a Microsoft havia exibido publicamente — durante a GDC 2026, em 19 de março — como o chamado Gaming Copilot funcionaria no Xbox Series. O recurso seria uma espécie de assistente de IA integrado ao console, capaz de oferecer dicas em tempo real enquanto o jogador estivesse travado em um game. Com a reviravolta, a integração foi cancelada antes mesmo de chegar ao hardware, e o CoPilot também foi removido do mobile.
“Meu trabalho é decidir onde investimos”
No evento da Bloomberg, Sharma não deixou margem para interpretações sobre o que motivou a decisão. Segundo ela, a prioridade é entregar o que faz sentido para quem usa o console e o CoPilot não estava nessa lista.
“Meu trabalho é pensar em onde investimos, o que priorizamos e como operamos. Nossos jogadores de console não estão empolgados com essa experiência no console“, disse Asha Sharma.
A executiva fez questão de deixar claro que a posição não é de ceticismo em relação à inteligência artificial como um todo. Ela citou o neural rendering como uma área onde a IA tem potencial real e tangível para o universo gamer. O ponto central, segundo ela, é garantir que qualquer implementação de IA esteja, de fato, resolvendo um problema.
“Agora, eu acredito em IA? Com certeza. Acho que o neural rendering é uma grande oportunidade para investirmos. Ele ajuda no upscale, ajuda no footprint do seu dispositivo para que você obtenha gráficos melhores — há muitas coisas em que a IA pode ser realmente boa. Temos que garantir que ela esteja resolvendo um problema quando a colocamos lá para os games, e então eu tomei essa decisão”, completou Sharma.
Satya Nadella ficou de fora da decisão?
Um dos momentos mais reveladores da conversa foi quando Sharma foi questionada sobre a reação de Satya Nadella, CEO da Microsoft — figura que tem sido um dos maiores defensores do CoPilot dentro da companhia nos últimos anos. A executiva não confirmou nem negou se ele aprovou a ideia, mas deixou claro que a autonomia para a decisão estava em suas mãos.
“Foi uma decisão do Xbox. Ele me deu permissão para tomar as melhores decisões para nossos jogadores”, afirmou.
A resposta sinaliza que, mesmo dentro de uma empresa que apostou pesado no CoPilot como produto central, há espaço para que as divisões individuais avaliem a aderência da tecnologia ao seu público específico.
Fonte: Pure Xbox
Fonte: Video games


