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Antes de Twin Peaks, David Lynch fez um faroeste cômico que poucos conhecem – Notícias de cinema


Produzido para um projeto cultural do Le Figaro Magazine, The Cowboy and the Frenchman é um raro faroeste cômico de David Lynch que brinca com estereótipos culturais e foge totalmente do tom sombrio do diretor.

Fundado em 1826, o jornal francês Le Figaro só lançou sua revista semanal em 1978. Dez anos depois, em 1988, o Le Figaro Magazine decidiu marcar aniversário com um experimento cultural ambicioso: convidar cineastas de diferentes países para retratar a França a partir do olhar estrangeiro. O projeto recebeu o nome de “The French as Seen by…” e reuniu diretores como Luigi Comencini, Andrzej Wajda, Werner Herzog e Jean-Luc Godard.

Representando os Estados Unidos, David Lynch escreveu e dirigiu o curta-metragem The Cowboy and the Frenchman, com 26 minutos de duração. O filme é um ponto fora da curva na filmografia do cineasta, conhecido por obras mais sombrias e enigmáticas. Além de ser considerado seu único flerte com o faroeste, o curta também se destaca como uma de suas raras incursões declaradas na comédia.

Um encontro improvável no Velho Oeste

A trama acompanha Slim, vivido por Harry Dean Stanton, um cowboy que presencia a captura de um estranho personagem surgido entre as árvores. O homem é Pierre, interpretado por Frederic Golchan, que não fala inglês. A comunicação se torna ainda mais confusa porque Slim tem problemas de audição. Aos poucos, os cowboys percebem que o visitante é francês.

Pierre carrega consigo uma cesta repleta de símbolos associados à França, como vinho, baguete, queijo camembert, mexilhões, batatas fritas, cigarros Gauloises e miniaturas da Torre Eiffel. Em vez de hostilidade, o encontro se transforma em confraternização: cervejas são abertas, uma Estátua da Liberdade é oferecida como presente e todos cantam “Home on the Range” antes de celebrar com um “Viva la France!”.

Embora o projeto sugerisse um olhar estrangeiro sobre a França, o curta acaba revelando mais sobre os próprios americanos. Os cowboys enxergam o francês como um conjunto de clichês culturais, enquanto demonstram pouco conhecimento sobre o mundo fora de seu território. Ainda assim, não há conflito nem tensão: o tom é leve e cordial.

O curta foi realizado em um momento especialmente favorável da carreira de Lynch, logo após o sucesso de Veludo Azul e pouco antes de Coração Selvagem e da estreia de Twin Peaks.



Fonte: Filmes e Séries

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