O diretor de The Last of Us e Uncharted 4, Bruce Straley, usou God of War Laufey como exemplo central de um argumento que ele tem repetido há algum tempo: os AAA se tornaram tediosos. Em entrevista à revista Edge, o ex-líder da Naughty Dog, que ajudou a moldar algumas das franquias mais importantes da indústria desde 1999, foi direto ao ponto sobre o estado atual dos grandes jogos.
“Acho que as experiências que estamos entregando no espaço AAA são…”, disse Straley, deixando uma pausa intencional antes de concluir: “Acho que são entediantes.” Ele foi além e estendeu a crítica ao mercado como um todo: “Os AAA em geral, parece que não há oportunidade de injetar ideias novas e inovadoras.”
Impressionante de ver, entediante de jogar
O jogo que Straley escolheu para ilustrar o problema foi a próxima produção da Sony Santa Monica. Ele reconhece sem hesitar a qualidade técnica do projeto, mas separa o que vê dos olhos do que sente na gameplay. “God of War Laufey“, disse ele, “eu olho para esse jogo, e cada pixel é de tirar o fôlego. A quantidade de trabalho e habilidade que foi colocada em cada frame… Já fiz esse tipo de jogo e ainda fico impressionado.” A ressalva, porém, vem logo na sequência: “Mas quando eu realmente olho para o que você está fazendo no jogo, não fico animado. E isso não é nada contra a equipe de God of War.”
A distinção que ele traça é importante: não se trata de um ataque à competência da Sony Santa Monica nem à qualidade de execução do estúdio, mas a um modelo de desenvolvimento que, segundo ele, sufoca a criatividade estruturalmente. Straley admite inclusive que guarda uma ideia de jogo AAA, mas acredita que “provavelmente nunca a fará”.
Reações da comunidade
As reações ao comentário de Bruce Straley ficaram bastante divididas. Parte dos usuários concordou com a crítica de que os grandes jogos atuais priorizam gráficos, escala e apresentação cinematográfica em detrimento de novas ideias de gameplay. Alguns também apontaram que os altos custos e longos ciclos de desenvolvimento dos AAA fazem com que os estúdios assumam menos riscos e apostem em fórmulas já conhecidas.
Por outro lado, muitos questionaram a declaração justamente por Straley ter trabalhado em The Last of Us e Uncharted 4, franquias que, segundo esses usuários, ajudaram a consolidar o modelo de jogos cinematográficos que ele agora critica. Outros defenderam que ainda existem grandes produções capazes de inovar, citando jogos como Elden Ring e Death Stranding 2, enquanto alguns disseram que God of War: Laufey parece ter um gameplay interessante apesar da crítica de Straley.
A resposta de Straley: uma carismática aventura com uma bruxa velha
Em vez de continuar dentro desse sistema, Straley fundou o estúdio Wildflower Interactive, cuja proposta declarada em seu site é desenvolver jogos “pequenos“, criativamente carregados e com estética única. O primeiro título do estúdio é Coven of the Chicken Foot, em que o jogador controla uma bruxa velha.
Coven of the Chicken Foot é um jogo que mistura puzzle com plataforma sombria que coloca o jogador no papel de Gertie, uma idosa bruxa que decide enfrentar os chamados “heróis” após eles saquearem masmorras e derrotarem monstros. Para sobreviver em um mundo repleto de perigosos, Gertie precisa contar com uma criatura peculiar que aprende e desenvolve novos comportamentos ao longo da aventura. A relação entre os dois é o centro da experiência, com uma narrativa contada principalmente de forma ambiental e sem diálogos, enquanto a exploração de um mundo semiaberto revela gradualmente seus mistérios.
O ritmo é lento, o mundo é semi-aberto, e a experiência é deliberadamente o oposto do que os AAA costuma vender. Para o diretor, é exatamente esse o caminho que deseja seguir. Coven of the Chicken Foot está programado para chegar ao PC, mas anda não possui data de lançamento.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


