A biografia de Jon Batiste aponta que o cantor, compositor e instrumentista tem como especialidades o jazz, o rhythm’n’blues e a música erudita. Sinceramente, faltam mais termos para definir em palavras o que foi a apresentação desse americano de 39 anos no Curaçao North and Sea Jazz Festival na última sexta-feira –e que o público do Rock in Rio deverá assistir hoje, quando ele sobe ao Palco Mundo.
Nascido em Metairie, cidade praticamente grudada em Nova Orleans, o músico traz muito da cultura local no seu repertório e atitude de palco –traduzindo, é um “entretenedor” nato. Mas sabe, como poucos, colocar outras influências e seu toque pessoal ao que executa em cena. Embora seu piano traga as influências do nascedouro do jazz (tem um toque típico de Nova Orleans, uma manemolência especial que não dá para ser traduzida em palavras), Batiste demonstra toda sua versatilidade ao evocar as improvisações de Thelonious Monk (1917-1982), citar “Giant Steps”, composição do saxofonista John Coltrane (1926-1967) e tocar trechos de “A Marcha Turca”, do compositor clássico Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) –que é transformada em funk.
No palco, Batiste canta, toca, dança e pula muito. Seu repertório ao vivo é calcado na soul music e no funk –por vezes usa um falsete daqueles que só Prince sabe fazer– e dá chance para os integrantes de sua banda brilharem. Caso de Desz (nome artístico de Desiree Washington), ex-concorrente do reality show “The Voice” e que dá um show particular na cover de “The Right Time”, de Ray Charles (1930-2004).
Para os brasileiros –e olha que ele nem sabia que havia locais da platéia–, um grande momento: “Mas que Nada”, de Jorge Ben Jor. Mas aqui, ecos da versão eternizada por outro brasileiro, o instrumentista e compositor Sérgio Mendes (1941-2024). Jon Batiste ao vivo é a celebração da música negra de todos os estilos e nacionalidades. Ou, como diz aquele célebre funk carioca, “som de preto e favelado, mas quando toca ninguém fica parado.”


