The Witcher 3: Songs of the Past não nasceu ontem. A expansão anunciada para um dos maiores RPGs da história tem uma origem bem mais antiga do que o anúncio recente pode sugerir.
Em entrevista concedida durante a Gamescom, Jakub Rokosz, CEO da Fool’s Theory, revelou que a história do conteúdo foi escrita há anos dentro da própria CD Projekt Red e ficou engavetada até que as condições certas se alinhassem para tirá-la do papel.
“A história foi concebida, há muito tempo, na CD Projekt Red, por Ola Motyka e Philip Weber [que eram roteiristas do jogo base]. Enquanto trabalhavam nela, tiveram que deixá-la de lado por vários motivos, as coisas precisavam se alinhar, a Teoria do Tolo precisava crescer e assim por diante. Alguns anos depois, o tema ressurgiu e começamos a trabalhar em [Songs of the Past]. Temos nos aprofundado e expandido a história desde então, e foi assim que ela se tornou a expansão que vocês veem hoje.”
A Fool’s Theory é o estúdio co-desenvolvedor do projeto ao lado da CD Projekt Red. Fundada em 2015, a empresa tem no portfólio o RPG original The Thaumaturge, além de ter contribuído com o desenvolvimento de Divinity: Original Sin 2 e do remake de Silent Hill 2. É, portanto, um time com experiência sólida em projetos de peso e que teve de amadurecer antes de estar pronto para assumir uma expansão de The Witcher 3.
Quando questionado sobre possíveis inspirações nos livros de Andrzej Sapkowski, Rokosz foi direto: a narrativa de Songs of the Past é completamente original. A obra do escritor polonês serviu mais como ponto de partida emocional do que como fonte de enredo. Quem reforçou esse ponto foi Despoina Anetaki, senior quest designer da CD Projekt Red.
“A história é original, mas eu diria que o que tiramos dos livros foi o relacionamento próximo de Geralt e Dandelion e não tivemos espaço em Witcher 3 para explorar isso, porque havia tantos outros temas para focar, principalmente o relacionamento de Geralt com Ciri.”
A expansão leva Geralt a Letten, uma região bucólica e distante dos conflitos políticos que dominam o continente. Logo após a chegada do Bruxo, Dandelion desaparece, e o que começa como uma simples busca por um bardo acaba se tornando um caso digno de um Bruxo. Durante a apresentação de 45 minutos na Gamescom, foi possível ver Geralt se ambientando na nova região e conhecendo a família de Dandelion, incluindo uma prima e uma avó, além da vasta propriedade da família do bardo.
“Então, essa expansão foi uma ótima oportunidade para realmente falar sobre Dandelion e torná-lo um personagem mais completo. [No jogo base], não tínhamos muito espaço para explorá-lo, e agora temos espaço para explorá-lo, contar sua história e vê-lo mais plenamente. Nos livros, por exemplo, ele tem essas conversas mais filosóficas com Geralt – agora também podemos ver um lado mais profundo de Dandelion no jogo.”
Para Rokosz, Dandelion sempre funcionou como um contraponto natural a Geralt: leve, pensativo e bem-humorado diante da seriedade carrancuda do Bruxo. “The Witcher é tudo sobre moralidade e zonas cinzentas”, disse o CEO da Fool’s Theory, “e realmente queríamos espaço para focar em como Dandelion complementa Geralt quando se trata disso.” O executivo também não escondeu o apreço pelo personagem.
“[Dandelion] é realmente um dos meus personagens favoritos”, sorri Rokosz. “Ele é um alívio cômico muito leve, mas também é muito profundo e atencioso. Ele não teria ficado com o Witcher por tanto tempo, e por todas aquelas aventuras perigosas, se não se importasse com ele. E esse tipo de atitude merece um lugar, e sua própria história.”
E foi aí que Rokosz jogou uma carta que vai agradar (ou não) muita gente. “Sabe, sempre tivemos muitos romances em The Witcher 3, e nunca houve espaço para uma amizade masculina (bromance)… e é isso que estamos buscando aqui.” Anetaki completou o raciocínio, destacando que o foco em Dandelion torna Songs of the Past distinta das expansões anteriores: “É quase como um retorno a The Witcher 3, porque o foco é sobre família, mas de uma forma diferente de como foi tratado [no jogo base].”
A CD Projekt Red já confirmou que Songs of the Past terá escopo semelhante ao de Blood & Wine — que entrega cerca de 15 horas de conteúdo no caminho principal. O lançamento está previsto para 2027, mais de uma década após o game base chegar às lojas.
Fonte: Eurogamer
Fonte: Video games


