Clair Obscur: Expedition 33 quase foi apresentado ao público de uma forma completamente diferente do que realmente é. Shuhei Yoshida, ex-presidente da Sony Interactive e ex-chefe da divisão indie da PlayStation, revelou que aconselhou a desenvolvedora Sandfall Interactive e a publicadora Kepler Interactive a evitarem rotular o jogo como um RPG por turnos, convicto de que a etiqueta prejudicaria as vendas. O jogo ignorou o conselho na prática, conquistou o mundo e acabou por redefinir o próprio gênero que Yoshida temia.
A revelação veio durante o Busan Indie Connect Festival 2026, onde Yoshida ministrou uma palestra sobre como estúdios independentes devem escolher seus publicadores. Na ocasião, ele contou que jogou Expedition 33 dois anos antes do lançamento e ficou impressionado com o que viu, mas não estava otimista quanto às chances do título no mercado.
O estigma do combate em turno
O raciocínio de Yoshida tinha uma base concreta. Apesar de Baldur’s Gate 3 ter refrescado o apetite do público pelo combate por turnos em 2023, o executivo entendia que a maioria dos novos jogos do gênero continuava sendo ignorada por ser considerada antiquada. O sucesso de títulos como Lies of P reforçava a leitura de que os jogadores, naquele momento, queriam combates baseados em ação, rápidos e brutais.
Mesmo admirando o design de Expedition 33, especificamente o que descreveu como a “combinação de mecânicas de JRPG por turnos com inputs de ação em tempo real reminiscentes de The Legend of Dragoon“, Yoshida manteve o ceticismo. Vale notar que The Legend of Dragoon é um RPG de fantasia do PlayStation 1 que o próprio Yoshida produziu em 1999. A comparação, portanto, vinha de quem conhecia o terreno de perto.
A orientação foi clara e direta: “É incrivelmente bem-feito”, lembra Yoshida ter dito à Sandfall, “mas seria melhor não chamá-lo de RPG por turnos. Só isso já pode fazer os jogadores o ignorarem.” O estúdio ouviu. O marketing do jogo passou a usar o termo “batalhas em turno reativas” para descrever o sistema de combate, uma formulação mais genérica que evitava o rótulo direto do gênero.
O tiro que saiu pela culatra, no bom sentido
Clair Obscur: Expedition 33 foi lançado e recebeu uma avalanche de elogios da crítica e do público. O jogo acumulou um número histórico de prêmios Game of the Year, superando títulos consagrados e se tornando um fenômeno de referência na indústria. Yoshida usa exatamente esse desfecho como contraponto ao próprio conselho: uma prova de que a corrida atrás de tendências nem sempre é necessária quando a qualidade do produto fala por si.
O impacto foi imediato no mercado. Segundo Yoshida, após o sucesso de Expedition 33, as publicadoras passaram a receber um volume maior de ofertas de jogos do gênero RPG por turnos, sinal claro de que o jogo não apenas sobreviveu ao estigma que o executivo temia, mas virou referência e passou a pautar o que vem a seguir.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


