
Jota.pê, convidado do show de João Gomes no ARVO (Clara Lobo)
Antes de virar um dos nomes mais celebrados da nova MPB, com três prêmios no Grammy Latino por “Se o Meu Peito Fosse o Mundo” (2024) e uma agenda de shows que já passou por Europa, Estados Unidos e Colômbia, Jota.pê era só um garoto de Osasco/SP aprendendo a tocar violão em casa. E, segundo o próprio cantor, boa parte do que ele entende hoje sobre compor e interpretar música veio de uma fonte bem próxima: o pai.
Em entrevista à Billboard Brasil, às vésperas do Dia dos Pais, Jota.pê falou sobre a relação com o pai e sobre como ele foi decisivo em alguns dos momentos mais importantes da carreira, inclusive no nascimento de uma das músicas de maior sucesso do artista, “Beija-Flor”.
‘Ele foi o meu primeiro maior crítico’
Jota.pê conta que a musicalidade também é uma herança de família.
“Meu pai cantava quando era mais novo. E ele foi o meu primeiro maior crítico. Eu me lembro de começar a tocar violão, a compor, e ele falava: ‘você ainda não é o intérprete, você só está tocando violão’. Eu ficava puto com aquilo”, recorda, rindo.
Foi só depois, ao se aprofundar na música brasileira, que o cantor entendeu o que o pai queria dizer.
“Fui estudar os compositores e os intérpretes e descobri o que ele queria dizer com aquilo. Ver a Maria Bethânia declamando uma bula de remédio e você chorando com aquilo… Aí comecei a entender as diferenças entre ser intérprete, compositor, cantor, instrumentista. Ele realmente me ajudou muito”, diz.
A música que quase foi parar no lixo
Um dos momentos mais marcantes dessa influência, segundo Jota.pê, envolve diretamente uma de suas canções mais conhecidas.
“Ele salvou ‘Beija-Flor’, por exemplo, que é um dos maiores sucessos que eu tenho hoje na vida. Eu quis jogar a música fora, e foi ele que não deixou. Falou: ‘Essa música está muito boa, termina aí’”, relembra.
Além de destaque no repertório do cantor, “Beija-Flor” também se tornou uma das maiores audiências de “Dominguinho”, projeto criado por Jota.pê ao lado de João Gomes e Mestrinho, onde a faixa ganhou uma nova roupagem.
Para o cantor, esse tipo de intervenção resume o papel do pai em sua trajetória. “Meu pai com certeza é muito importante para mim na história da minha música, na minha vida”, afirma.
A declaração chega em um momento de reconhecimento crescente para o artista, que se prepara para sua estreia nos palcos principais do Rock in Rio 2026, no dia 11 de setembro, ao lado de Luedji Luna e Zaynara, em mais um capítulo de uma carreira que, segundo o próprio Jota.pê, nunca deixou de carregar as marcas de casa.


