O anúncio da Sony de que o PlayStation vai encerrar a produção de discos físicos para jogos novos em 2028 gerou uma enxurrada de protestos nas redes sociais, mas Chet Faliszek, ex-funcionário Valve que trabalhou como escritor em seus jogos, não tem muita paciência para ouvi-los. Em um novo vídeo publicado no YouTube, ele foi direto ao ponto: a culpa é do próprio consumidor.
“Você, o consumidor, fez uma escolha, e sua escolha foi pelo digital”, afirmou Faliszek. “Fico vendo isso: ‘Ah, deveriam fazer memory cards. Deveriam fazer…’ Hoje, agora, os jogos dos quais estamos falando estão disponíveis no varejo hoje. Os jogos usados estão disponíveis no varejo hoje, e você não está indo às lojas comprá-los.”
O argumento tem respaldo em dados concretos. O analista Mat Piscatella, da empresa de pesquisa de mercado Circana, revelou recentemente que apenas sete jogos de PlayStation conseguiram ultrapassar a marca de 100.000 cópias físicas vendidas nos Estados Unidos ao longo deste ano. O número é particularmente revelador quando se leva em conta que, paralelamente, a seção de comentários do último trailer de Marvel’s Wolverine da Sony foi tomada por usuários furiosos exigindo a manutenção do formato físico.
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“Você forçou a mão das grandes corporações”
Faliszek foi além e apontou que os dados de vendas de software em geral ainda subestimam o tamanho real do mercado digital. “Qualquer um que esteja reportando vendas de software agora, dividindo entre digital e varejo, está reportando abaixo do número atual“, disse ele, “porque não estão incluindo o Steam. Nem vamos entrar no mobile. E o que foi o Game Pass? O Game Pass era exclusivamente digital. Você, como consumidor, forçou a mão das grandes corporações e disse a elas: ‘Chega de varejo’.”
O ex-escritor da Valve também lembrou que os jogadores tiveram oportunidades concretas de agir de forma diferente e não agiram. Ninguém parou de comprar jogos digitalmente. Ninguém foi às prateleiras adquirir cópias físicas de títulos como Crimson Desert antes que fosse tarde demais. “Você deveria ter começado a protestar contra o Game Pass, parado de comprar jogos do Xbox, parado de comprar digital”, disse Faliszek. “Mas você não fez isso, porque é mais fácil.”
O raciocínio é simples e incômodo: enquanto o coro contra o fim dos discos crescia nas redes sociais, o mercado físico encolhia em silêncio, impulsionado pelas mesmas pessoas que hoje reclamam da decisão da Sony. O varejo não morreu por decreto corporativo, ele foi sendo esvaziado compra a compra.
Fonte: GamesRadar
Fonte: Video games


