O PlayStation 5 e o PlayStation 4 responderam por 45% de toda a receita gerada pelo mercado físico de games no Reino Unido em 2025, segundo dados da Nielsen. O número foi levantado pela associação comercial britânica Entertainment Retailer’s Association (ERA) como argumento contra a decisão da Sony de encerrar a fabricação de jogos em disco a partir de janeiro de 2028.
Para ter uma noção do tamanho do que está em jogo, o mercado físico de games no Reino Unido movimentou £300 milhões (aproximadamente R$ 2 bilhões) ao longo do ano passado. Quase metade desse valor saiu do ecossistema PlayStation. É um número que, por si só, já diz muito sobre a relevância que a empresa tem no formato físico.
ERA vai de encontro à decisão da Sony
A CEO da ERA, Kim Bayley, não poupou palavras ao comentar o anúncio da fabricante japonesa com o site The Game Business:
“O anúncio da PlayStation de que os principais jogos não estarão mais disponíveis em disco é um triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor. Todo ano, milhões de jogadores ainda optam por comprar cópias físicas porque valorizam a posse real. Um disco pode ser compartilhado com a família, vendido, colecionado, preservado e, crucialmente, ainda jogado anos depois. Uma licença de download, com frequência, não oferece nenhuma dessas liberdades.”
Vale pontuar que a ERA existe para representar varejistas como GAME e Amazon, o que significa que a entidade dificilmente iria aplaudir uma decisão que, na prática, encolhe o mercado físico. Mas isso não invalida os argumentos levantados. Bayley completou seu raciocínio com uma crítica mais ampla à direção que a indústria está tomando:
“A indústria deveria estar abraçando todas as formas legítimas pelas quais os consumidores querem comprar jogos, não estreitando suas escolhas. A distribuição digital transformou os games e é imensamente popular, mas deveria complementar os formatos físicos, não substituí-los. Consumidores merecem a liberdade de escolher como compram seu entretenimento. Remover os discos não representa progresso, simplesmente remove a escolha. Isso é ruim para os jogadores, ruim para os varejistas e, em última instância, ruim para a saúde e a preservação de longo prazo da nossa indústria.”
O argumento da Sony
A posição da Sony tem uma lógica financeira clara: a empresa precisaria vender dois discos físicos para equiparar a margem gerada por um único download digital. Com as métricas pendendo cada vez mais para o lado digital, com os downloads já representando 85% das vendas de PS5 e PS4 no último trimestre registrado, a fabricante enxerga nesse movimento uma janela para cortar de vez o formato físico.
O problema é que a decisão foi tomada em um momento particularmente sensível. Com o PS6 no horizonte e seu preço esperado sendo apontado como um obstáculo para as vendas, a Sony está queimando sua boa imagem com seus fãs que, neste instante, ela provavelmente não poderia se dar ao luxo. A crítica não vem só de fora: parte do próprio público de longa data da marca sente que essa é uma mudança precipitada, feita antes do mercado físico ter esgotado sua relevância comercial.
Fonte: Push Square
Fonte: Video games


