O corte de 3.200 empregos anunciado pelo Xbox até julho de 2027 já seria, por si só, o maior da história da indústria de games. Mas, segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, o número real de pessoas afetadas é significativamente maior do que o divulgado publicamente.
Em um novo vídeo publicado no YouTube, Schreier detalha o que chama de “cortes ocultos”: as demissões em cascata que atingem estúdios contratados e parceiros de codesenvolvimento vinculados a projetos cancelados, mas que não entram na conta oficial da Microsoft. O exemplo mais emblemático é o do reboot de Perfect Dark, que não estava sendo desenvolvido apenas pela The Initiative e Crystal Dynamics.
“O que as pessoas não sabem é que havia outros estúdios trabalhando nesse jogo também. Não posso nomear todos porque não confirmei cada um deles com 100% de certeza, mas, por exemplo, a Eidos Montréal, que é uma espécie de estúdio irmão da Crystal Dynamics, também tinha pessoas trabalhando em Perfect Dark. E há outros por aí, outros estúdios de ‘contrato por aluguel’ que estavam trabalhando nesse jogo. E, como resultado, eles também tiveram que demitir pessoas.”
O problema para esses profissionais vai além da perda do emprego. Schreier aponta que muitos deles assinaram NDAs (acordos de não divulgação) e, por isso, estão impedidos de sequer mencionar o projeto no currículo ou no portfólio. Na prática, ficam em uma situação ainda pior do que os funcionários diretos da Microsoft, que ao menos podem citar sua passagem por um estúdio grande.
Obsidian e o efeito dominó dos cancelamentos
O mesmo fenômeno deve se repetir com os jogos cancelados pela Obsidian Entertainment, incluindo um título de Shadowrun, de acordo com rumores que circulam no setor. Segundo Schreier, ao menos um dos projetos descartados pelo estúdio também estava sendo desenvolvido em parceria com outros times externos.
“Eles [Obsidian] cancelaram alguns jogos, e esses jogos, pelo menos um deles, talvez mais de um, eu não tenho 100% de certeza, mas esses jogos também estavam em desenvolvimento com parceiros de codesenvolvimento. E então esses parceiros estão agora em uma posição onde o jogo foi cancelado. Eles estão perdendo dinheiro. Não podem manter pessoas empregadas. Têm que cortar empregos, e as pessoas demitidas não podem dizer no quê estavam trabalhando.”
Além dos estúdios de desenvolvimento, Schreier ainda chama atenção para um trecho específico do comunicado público emitido pela CEO do Xbox, Asha Sharma: a promessa de reduzir em 50% os gastos com parceiros externos. Isso se traduz, na prática, em mais cortes de postos de trabalho em empresas de fora que atuavam de perto com o Xbox, potencialmente em áreas como marketing e relações públicas.
No balanço final, Schreier conclui que o verdadeiro custo humano desse processo de reestruturação chega a muitos milhares de empregos, um número que provavelmente nunca será contabilizado com precisão, dado que boa parte dessas demissões ocorre fora dos muros da Microsoft e sem qualquer obrigação de divulgação pública.
Fonte: Video games


