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Projeto Guará Vermelho revela realidade alarmante nos manguezais de Cubatão


Algumas coisas só ficam visíveis quando alguém resolve encarar de frente. Nos manguezais de Cubatão, esse “alguém” tem sido o Projeto Guará Vermelho, e o que aparece não é bonito.

Só nos três primeiros meses de 2026, foram quase 19,3 toneladas de resíduos retirados do meio ambiente. É muito. Mas, além dos números, o que eles mostram é como a gente lida com o território onde vive.

E, sim, isso também diz respeito a toda a Baixada Santista. Compartilhamos rios, impactos e principalmente a responsabilidade de cuidar do que é nosso. 

Quando o lixo conta a história de uma cidade

O levantamento do primeiro trimestre mostra um padrão que se repete. Não é “só lixo”. É lixo contaminado. Foram mais de 18 mil quilos desse tipo de resíduo em apenas três meses. Material que não pode ser reciclado e que carrega risco direto para o solo, a água e os animais.

Para Wagner Rodrigues, coordenador do projeto, o problema não está isolado.

“Esse volume evidencia, na prática, um cenário de descarte irregular, muitas vezes sem consciência dos impactos gerados”, explica.

Não dá para colocar a culpa só na falta de estrutura. Tudo bem, sabemos que ela se faz presente em muitos pontos – mais do que deveria. Mas ainda assim, o descarte errado continua acontecendo. 

Na visão do projeto, a maior falha hoje está na educação ambiental.

“Mesmo onde há alguma estrutura, o descarte incorreto ainda ocorre. Muitas vezes por falta de informação ou senso de responsabilidade coletiva”, completa Rodrigues.

Limpar resolve? Sim. Mas não o suficiente

A cena se repete toda semana: equipes retirando resíduos dos manguezais, sacos e mais sacos sendo preenchidos. Na prática, funciona e muito, essas ações reduzem o impacto imediato, salvam a fauna e flora e dão um respiro para o ecossistema. 

Mas tudo isso acaba se tornando um risco claro e é aí que entra o ciclo infinito. Limpa hoje e suja amanhã. 

“A limpeza é fundamental, mas atuar na raiz do problema é ainda mais importante”, afirma Wagner.

E essa raiz passa, principalmente, por comportamento. Por isso, as ações vão além da coleta. O foco também está na educação ambiental, principalmente com crianças. É ali que os hábitos começam a se formar.

Além disso, o projeto promove palestras, eventos e ações comunitárias. E tem um detalhe importante: mostrar a realidade também educa. Quando a população vê de perto o volume de lixo retirado, algo muda.

Entre o ceticismo e o engajamento

Nem toda reação é positiva. Parte da população ainda vê o trabalho como “enxugar gelo”.E dá para entender o sentimento. Mas existe todo um outro lado.

“Muitas pessoas não tinham dimensão da gravidade até presenciarem as ações”. 

E aí acontece algo interessante. A ficha finalmente cai. Tem gente que começa a se envolver, apoiar, participar. Aquele movimento clássico de pertencimento e finalmente entender que o problema também é seu.

Mas não existe milagre. Quando o assunto é meio ambiente, a mudança é lenta, cultural, exige repetição e demora. 

O mangue responde — e isso já é visível

Apesar de tudo, os resultados começam a aparecer. Na flora, já há melhora na cobertura vegetal em algumas áreas. Parte disso vem da redução do lixo e a outra vem do plantio de mudas e propágulos de mangue.

Na fauna, o impacto é direto. Menos lixo significa menos risco de ingestão de resíduos e menos aprisionamento de animais e com o ambiente mais equilibrado, a tendência é clara: mais vida.

Inclusive do próprio guará-vermelho, espécie símbolo do projeto e indicador importante da saúde do ecossistema.

A expansão já começou

O Projeto Guará Vermelho nasceu dentro da ONG NUDAER e foi selecionado pelo Programa Petrobras Socioambiental em 2021. Começou a atuar em 2022. E agora entra em uma nova fase.

A ideia é expandir as ações. E isso inclui Santos. Ou seja, o que hoje é um alerta em Cubatão pode — e deve — mobilizar também quem vive aqui.

Inclusive porque os impactos ambientais não respeitam a divisa da cidade. Os rios conectam tudo, inclusive os problemas. 

O melhor cenário é o fim do projeto

Pode soar estranho, mas o próprio coordenador deixa claro qual seria o maior sucesso da iniciativa.

“No cenário ideal, o projeto deixaria de existir porque o problema teria sido resolvido.”

Uma sociedade consciente, com descarte correto incorporado no dia a dia, tornaria o projeto desnecessário. Mas enquanto isso não acontece, ele segue crescendo.

Vamos terminar aqui com uma provocação: quantas toneladas de lixo ainda precisam ser retiradas até a gente mudar o comportamento?

Informações de serviço

Projeto Guará Vermelho
Instagram: @projetoguaravermelho
Site: https://guaravermelho.org
E-mail: [email protected]

Interessados podem acompanhar as ações, participar como voluntários e entender de perto o impacto do projeto na região.





www.juicysantos.com.br

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