E o segundo dia do Festival GOMO de Criatividade 2026,maior evento gratuito de criatividade e inovação da região, fez a galera de Santos mergulhar em ideias e inspirações ao longo de todo o domingo (26 de abril).

Realizado no Juicyhub, o festival reúne empreendedores, artistas, makers, designers e pensadores para trocar ideias de verdade, com acessibilidade, networking genuíno e 100% gratuito.
GOMO é a sigla para Grandes Oportunidades para Mudar o Óbvio e a proposta está longe de ser só um nome bonito para gravar no crachá. O festival nasceu em Santos com uma missão clara: democratizar o acesso ao conhecimento e ao ecossistema criativo. É gratuito, como sempre foi, porque aprender e se inspirar não deveria ser privilégio de quem pode pagar por isso.
O Festival GOMO acontece no encerramento do mês em que se comemora o Dia Mundial da Criatividade e Inovação (WCID), data criada pela canadense Marci Segal em 2001 e reconhecida oficialmente pela ONU desde 2017. Com uma programação diversa e inspiradora, o evento se firma como um espaço de troca, aprendizado e fortalecimento do ecossistema criativo local.
Abrindo o evento, a CEO do Juicyhub, Ludmilla Rossi, compartilhou a animação para o último dia de programação e celebrou a casa cheia.
“Estou muito feliz de ver isso lotado. Todo mundo poderia estar na praia, mas escolheu estar aqui. Com certeza será um dia muito especial.”
Em seguida, ela adiantou alguns destaques da programação e relembrou o sucesso do primeiro dia.
“Mais uma vez quebramos recordes do festival GOMO e a expectativa é repetir o feito hoje.”
Ludmilla também chamou atenção para a feira de economia criativa, que reúne produtos de diferentes expositores, incluindo a bolsa do Juicy, ainda em desenvolvimento.
Depois disso, todo o time do Juicy subiu ao palco e recebeu uma salva de palmas do público.
Por fim, Ludmilla e a equipe agradeceram aos patrocinadores e destacaram as iniciativas de empreendedorismo da Prefeitura de Santos, que ajudam a viabilizar o evento.
Veja alguns dos destaques do segundo dia do Festival GOMO de Criatividade
Arquitetura do SIM: por que ser interessante é a base de qualquer modelo de negócios.
Caio Giachetti subiu ao palco com uma energia inquieta e uma proposta direta: falar sobre criatividade aplicada de verdade, daquelas que funcionam na prática, independentemente do negócio. Ele partiu da própria trajetória para mostrar que ser interessante é mais poderoso do que tentar vender a qualquer custo.
Logo de cara, deixou claro que o método dele serve para qualquer contexto.
“Seja vendendo um brownie, um brigadeiro ou um apartamento na Paulista. Vou contar um pouco sobre meu método.”
A história começa cedo. Aos 14 anos, em Araras, ele já trabalhava vendendo picolé na rua. Depois passou por uma sequência de empregos, de estoquista a auxiliar de produção, sempre com o mesmo problema: a criatividade não cabia nos lugares onde ele estava.
“Dentro disso tinha um padrão, eu nunca consegui ficar muito tempo trabalhando no mesmo lugar. Não por falta de competência, mas pela minha criatividade que sempre recebia um ‘não’.”
Foi esse incômodo que levou Caio ao empreendedorismo. Sem dinheiro e sem direção clara, começou vendendo roupas da 25 de Março de porta em porta até conseguir abrir uma pequena loja com um empréstimo.
Mas ali veio o ponto de virada: a falta de recurso virou estratégia.
“Foi quando começou minha crise criativa.”
Enquanto todo mundo tentava divulgar, ele fez o oposto. Em vez de mostrar, decidiu esconder. Criou uma loja que não parecia uma loja, com elementos estranhos e nenhuma informação óbvia.
“Todo mundo que passava na frente da loja não entendia nada. Não tinha preço, produto nem promoção. Só tinha algo diferente do padrão.”
Essa escolha gerou curiosidade, atenção e movimento. As pessoas queriam descobrir o que era aquilo.
“A frase da minha vida é: a dúvida prende, a certeza afasta.”
A partir daí, Caio construiu uma lógica de negócio baseada em experiência e pertencimento. Ele criou campanhas simples, mas extremamente direcionadas, como um “jornalzinho” entregue para pessoas específicas em ambientes estratégicos.
“Hoje em dia chamam isso de tráfego pago. Eu fazia isso em 2011 por conhecer qual era o estilo das pessoas.”
Mais do que vender roupa, ele vendia a sensação de exclusividade. Criou um sistema onde o cliente sentia que tinha sido escolhido, não o contrário.
“O cliente entrava e via que a loja era só dele. Mas na verdade isso só era falta de espaço, dinheiro e funcionário. Usei a minha limitação para criar.”
O resultado foi um sucesso inesperado. A loja, chamada Bronx, começou a atrair gente de fora da cidade, incluindo jogadores e figuras conhecidas. Mas, ao mesmo tempo, o crescimento trouxe um vazio.
“Quanto mais dinheiro eu tinha, mais eu trabalhava. Comecei a me desmotivar.”

Esse esgotamento levou à quebra. Caio vendeu tudo e foi para a Europa em busca de recomeço. Lá, viveu o extremo oposto: lavava pratos, comia restos e enfrentava dificuldades financeiras.
“Dessa vez, quanto mais eu trabalhava, menos dinheiro eu tinha.”
Foi nesse período que recebeu a notícia da morte do pai, pouco antes da aposentadoria. Um momento que redefiniu completamente sua visão de vida.
“Ela disse: seu pai morreu.”
A partir disso, ele criou uma regra simples e definitiva.
“O dinheiro não pode entrar se a alegria tiver que sair.”
Esse princípio virou base de tudo que veio depois. Inspirado por artistas de rua, decidiu mudar de vida e começou a se apresentar como mágico, viajando pela Europa de forma minimalista.
“Não faça a pergunta certa para a pessoa errada.”
Mesmo em um cenário instável, ele continuou empreendendo. Vendia o que fosse necessário, mas sempre com uma lógica criativa por trás. Foi assim que nasceu um dos seus cases mais conhecidos, já em Portugal.
“Fiquei pensando, como vender brigadeiro em uma caixa de ferramenta?”
A resposta virou conceito. Ele criou a “Oficina do Brigadeiro”, abordando as pessoas com uma narrativa inesperada.
“Sou da manutenção e vim para o conserto.”
Quando perguntavam o que ele consertava, vinha a virada.
“Vim consertar o seu dia.”
Esse modelo resume toda a lógica da palestra: primeiro vem o valor, depois o preço. Primeiro a conexão, depois a venda.
“Coloque valor na frente e preço depois.”
Para Caio, o diferencial competitivo hoje não está no produto, mas na forma como ele é apresentado e sentido. Não é sobre convencer, é sobre gerar interesse genuíno.
“Ser interessante, e não interesseiro.”
Ele encerra reforçando que criatividade não é talento raro, mas prática aplicada. E que, no fim, negócios são sobre pessoas, não sobre métricas.
“O cliente não compra o produto. Ele compra o que aquilo faz ele sentir.”
Feira GOMO
Enquanto rolavam as palestras e painéis, o público também teve a oportunidade de apoiar empreendedores na Feira GOMO.
Assista ao Festival Gomo na íntegra
Como chegar ao Festival GOMO de Criatividade
Sobre o local: o Juicyhub fica na Av. Ana Costa, 433, 4º andar, no Gonzaga. Região central, fácil de achar. Tem estacionamento disponível no local por volta de R$ 50 a diária. Mas, se você mora perto ou tem ônibus pela Ana Costa, considere chegar de transporte público. Quem é de Santos sabe que o Gonzaga fica cheio no fim de semana.
Sobre a inscrição: é gratuita, mas as vagas são limitadas. Faça pelo Sympla antes do evento e agilize sua entrada. Se deixar pra se cadastrar na fila, corre o risco de ficar de fora.
Sobre levar as crianças: pode e deve. O espaço kids tem recreação e contação de histórias nos dois dias.
Sobre acessibilidade: o espaço é adaptado para PCDs e conta com intérprete de Libras. O GOMO foi pensado para ser de todo mundo, de verdade.
Esta edição do Festival GOMO de Criatividade conta com o patrocínio master da Adobe e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Apoiam o Festival GOMO a Prefeitura Municipal de Santos, por meio do programa Feito em Santos, a SB7 Som & Luz e a São Judas Campus Unimonte. São parceiros do festival a Minimal Design, VMB Eventos, Cursino e Teodoro da Silva Advogados, OAB Subseção Santos, Guard Lock, Motorádio, Eletromidia e Programa JB.


