Gore Verbinski dirigiu a trilogia elogiada pelo uso de efeitos especiais. O problema, segundo o cineasta, é que o cinema está copiando os videogames.
Você provavelmente também já percebeu: os efeitos especiais nos filmes, em vez de melhorarem, pioraram. Gore Verbinski, diretor da trilogia original de Piratas do Caribe, elogiada, entre outras coisas, por seus efeitos especiais em CGI, sabe por que isso está acontecendo. O culpado? A estética dos videogames.
A culpa é dos videogames
“Acho que a resposta mais simples é que vimos a Unreal Engine entrar no cenário dos efeitos visuais”, disse o cineasta no podcast But Why Tho?. “Antes havia uma divisão. A Unreal Engine era muito boa em videogames, mas aí as pessoas começaram a pensar que talvez os filmes também pudessem usar a Unreal para os efeitos visuais finais. Então, essa estética de videogame está sendo introduzida no mundo do cinema… Acho que a chegada da Unreal Engine e a substituição do Maya como algo fundamental é o maior retrocesso.”
Se nada do que Verbinski está dizendo lhe parece familiar, deixe-nos explicar. A Unreal Engine é uma poderosa ferramenta de software para criação 3D usada por desenvolvedores de videogames para criar aventuras gráficas como Fortnite e Hogwarts Legacy.
Este software também pode ser usado em filmes e na televisão. The Mandalorian (2019) e o filme Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania (2023) são dois exemplos de títulos cujos efeitos visuais foram gerados pela Unreal Engine.
Uma imagem caricatural
Verbinski destaca que o uso de uma ferramenta projetada para videogames pode produzir um resultado um tanto caricatural em filmes e séries baseados na realidade. “Funciona com os filmes da Marvel, onde você se sente em uma realidade aumentada e irreal”, afirma o cineasta.
Não acho que absorva a luz da mesma forma… É assim que se cria esse vale inquietante na animação: muitas alterações intermediárias são feitas para acelerar o processo em vez de fazê-lo manualmente.
A saga Piratas do Caribe é uma das melhores em termos de efeitos especiais. Verbinski dirigiu A Maldição do Pérola Negra (2003), O Baú da Morte (2006) e No Fim do Mundo (2007). Os demais filmes foram dirigidos por outros cineastas. Navegando em Águas Misteriosas (2011) foi dirigido por Rob Marshall, e A Vingança de Salazar (2017) foi dirigido por Joachim Rønning e Espen Sandberg.
Um dos personagens que mais se destacam nessa área é Davy Jones. O detalhe e o movimento dos tentáculos em seu rosto são excelentes e incrivelmente realistas. Se compararmos esse vilão, interpretado por Bill Nighy, com Salazar, interpretado por Javier Bardem, os efeitos visuais do primeiro superam em muito os do segundo. E é curioso, porque Davy Jones é um personagem de 2006 e Salazar é de 2017.
Fonte: Filmes e Séries


