Presente no Camarote Folia Tropical, na Sapucaí, nesta terça-feira de Carnaval (17), o ator e cantor Serjão Loroza conversou com a Billboard Brasil sobre sua carreira, a representatividade feminina em suas obras e o papel educador das escolas de samba. Esbanjando simpatia, o artista comentou o desafio técnico de seu lançamento mais recente, a faixa “Minha Mãe, Minha Irmã, Minha Mina, Minha Menina”.
Ao ser questionado sobre a complexidade da letra, que exalta a mulher e a música preta brasileira, ele brincou sobre a métrica da canção. “É um quebra-língua isso aí, né, bicho? Eu tive que decorar. Minha mãe, minha irmã, minha mina e minha menina”, afirmou o cantor, reforçando que a composição é uma homenagem às figuras femininas fundamentais na trajetória de qualquer indivíduo.
Para Serjão Loroza, o respeito às mulheres deve ser um princípio básico que independe de laços familiares. “São mulheres que são importantes na nossa vida. Mas o respeito precisa ser anterior a tudo isso. Eu gostaria muito de ser parceiro da mulher na sua luta, ou no mínimo não atrapalhar”, explicou o artista, que vê sua obra conectada ao conceito de Black Music, termo que ele define como toda a música preta feita no mundo, incluindo o samba brasileiro.
Sobre a influência do Carnaval em seu processo criativo e na sociedade, o cantor destacou o papel pedagógico dos desfiles no Rio de Janeiro. Segundo ele, as agremiações ocupam um espaço que o ensino tradicional muitas vezes negligencia. “É um trabalho de escolarização, de mostrar uma cultura que não foi mostrada para a minha geração. Muita coisa a gente não aprendeu ou o assunto nem era tocado”, analisou.
Serjão Loroza concluiu o papo exaltando a potência das comunidades e o conhecimento transmitido através dos enredos. “Hoje em dia, é muito legal o trabalho que a escola de samba tem feito de mostrar uma realidade que a escola formal ainda não consegue mostrar. Viva o Carnaval e a cultura popular”, celebrou o artista antes de seguir aproveitando a folia na Sapucaí.


