PUBLICIDADE

A série tem apenas 3 episódios e fez sucesso na Netflix, mas tem um grande problema: Os Sete Relógios de Agatha Christie é mais uma decepção da plataforma – Notícias Visto na Web


A nova minissérie de suspense da Netflix, apesar de adaptar uma obra da rainha do suspense, é desinteressante e pouco divertida.

Todos já ouviram falar de Hercule Poirot e Miss Marple, os dois personagens mais famosos criados por Agatha Christie, mas sua obra não se limita a eles. Na verdade, a autora apresenta muitos outros personagens principais em diversos livros, sendo o Superintendente Battle um dos melhores exemplos, que agora chega à Netflix com a minissérie Os Sete Relógios de Agatha Christie.

Baseada em um dos primeiros romances da famosa escritora britânica, O Mistério dos Sete Relógios, tem o apelo adicional de ser adaptada por Chris Chibnall, que muitos devem se lembrar como o criador de Broadchurch. Além disso, tem apenas três episódios e Martin Freeman já interpreta Battle. No papel, tinha tudo para ser uma minissérie fantástica, mas na realidade, tornou-se mais uma decepção da Netflix.

Por que a minissérie é uma decepção?

Netflix

Acredito que esse tipo de história de suspense precisa se destacar em pelo menos uma destas três áreas para funcionar: ter personagens cativantes que te deixem ansioso para saber o que farão em seguida, apresentar um mistério envolvente que te prenda à tela para ver como tudo se desenrola, ou adotar um tom divertido para que o público se divirta tanto quanto os protagonistas. Infelizmente, não encontraremos nada disso em Os Sete Relógios de Agatha Christie.

Apesar do prólogo impactante, a minissérie da Netflix opta por uma abordagem mais leve, dando amplo espaço à protagonista, interpretada por Mia McKenna-Bruce (How to Have Sex), para investigar um misterioso assassinato que acaba de ocorrer. Isso, por sua vez, permite explorar o cotidiano dos personagens, destacando o elemento britânico da história.

O problema é que isso está ligado a um mistério pouco atraente, que sofre de uma séria falta de intensidade à medida que as coisas se esclarecem. Em vez de gerar entusiasmo, o que resta parece mais uma brincadeira de criança com muito pouco em jogo, onde a única coisa que desperta curiosidade genuína é uma subtrama que só é explorada de fato em seus estágios finais.

Não é por acaso que o romance original está longe de ser considerado um dos melhores mistérios criados pela rainha do suspense. E embora já esteja claro, ao longo dos anos, que não é tão fácil fazer um filme ou série verdadeiramente inspirada a partir de uma de suas obras, as coisas se complicam ainda mais quando se tem que trabalhar com um material um tanto frágil, especialmente quando ele é tratado de uma forma que torna sua superficialidade ainda mais evidente.

Apesar da técnica, a produção não foi um sucesso

Isso não quer dizer que Os Sete Relógios de Agatha Christie seja um desastre, mas é mais um substituto para seus melhores thrillers do que qualquer outra coisa. De fato, já é possível perceber os estereótipos que ela revisitaria posteriormente de uma forma muito mais estimulante, mas aqui eles permanecem meros esboços que Chibnall não sabe bem como desenvolver dentro do quebra-cabeça que apresenta.

O que resta é, na melhor das hipóteses, uma minissérie funcional, cuja eficácia parece mais voltada para espectadores que maratonam séries ou filmes da Netflix enquanto fazem outras coisas.

Dessa perspectiva, Os Sete Relógios de Agatha Christie pode parecer um projeto bem executado, com uma protagonista perspicaz que, mesmo quando revelada aos poucos, consegue despertar alguma simpatia no público. Aliás, pode até parecer um título com certo charme, graças àquele toque britânico característico que mencionei anteriormente.

O problema surge quando você assiste prestando total atenção e o que a produção oferece é algo bastante insosso. Sim, tecnicamente é bem feito, o ritmo é bem dosado e nenhum dos atores está deslocado – embora Helena Bonham Carter e Martin Freeman sejam terrivelmente subutilizados –, mas até mesmo as ocasionais reviravoltas na trama carecem de brilho e energia.



Fonte: Filmes e Séries

Leia mais

PUBLICIDADE