Estamos sempre em busca daquela história épica e complexa que transcende a barreira do tempo. Existem várias, mas nem todas conseguem fazer a transição para as telas do cinema com sucesso.
Quando J.R.R. Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis, ele construiu um universo tão detalhado que parecia real. Dividiu a história em Eras (Primeira, Segunda e Terceira), criou línguas, povos, culturas, calendários que podiam ser consultados e até compôs as canções e poemas que seus personagens recitam ao longo da jornada. Tem gente que lê o livro achando que é uma autêntica aula de história – e é aí que reside grande parte do seu sucesso, tanto literário quanto cinematográfico.
No entanto, nem todas as grandes obras literárias seguem o mesmo caminho vitorioso nas adaptações. Não é todo dia que um clássico da literatura vira um clássico do cinema também. Basta perguntar para Dom Quixote, a obra-prima da cultura espanhola, que ainda não se tornou um filme à altura do livro.
A obra que parece destinada a tentar essa façanha é A Odisseia, o poema épico fundamental da literatura ocidental. E adivinha? Em seis meses, será lançada uma nova adaptação cinematográfica pelas mãos do diretor Christopher Nolan.
Não estamos dizendo que O Senhor dos Anéis é melhor ou pior – são obras radicalmente diferentes –, mas são comparáveis em termos de impacto cultural e, principalmente, no desafio de transformá-las em filmes. Sendo bem objetivo, porém, A Odisseia leva uma vantagem milenar: afinal, será que O Senhor dos Anéis ainda será lido daqui a 2.000 anos? Talvez! Mas a Odisseia já provou que é capaz.
Um desafio à altura de Christopher Nolan
New Line Cinema
Adaptar grandes romances costuma ser um pesadelo criativo. Alguns diretores passam anos desenvolvendo um único livro só para perceber que a tarefa é hercúlea. O próprio Senhor dos Anéis passou por percalços: antes de Peter Jackson, Ralph Bakshi dirigiu uma versão animada em 1978, O Senhor dos Anéis, que cobriu apenas a primeira metade da história. O filme foi um fracasso financeiro e a sequência nunca saiu.
E tem mais: há rumores de que Stanley Kubrick uma vez fantasiou em ter Os Beatles como protagonistas de uma adaptação da Terra Média. O próprio diretor deve ter percebido que o mundo de Tolkien era vasto demais para caber em um filme – e, quem sabe, que também seria uma loucura tentar reunir Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison e John Lennon em um projeto do tipo.
A Odisseia pode mudar tudo?

Universal Pictures
A Odisseia, um dos pilares da poesia épica grega e uma história transmitida oralmente por séculos, não é uma obra pequena. Claro, esta não é a primeira tentativa de adaptação. Mario Camerini dirigiu uma versão em 1954 com Kirk Douglas no papel principal. O filme foi um sucesso de bilheteria, mas não conseguiu capturar a grandiosidade do original. Há também uma minissérie de 1997 dirigida por Andrei Konchalovsky que, mesmo tendo ganho um Emmy, também não é considerada definitiva.
Mas tudo pode mudar com Nolan. Se há algo que entusiasma o diretor britânico, é um desafio monumental. Ele, que evita CGI ao máximo e prefere efeitos práticos, conseguiu recriar a explosão atômica em Oppenheimer manipulando perspectiva e substâncias químicas. Nolan nunca escolhe o caminho fácil, e é por isso que ele é a pessoa mais interessante para tentar moldar a épica de Ulisses.
A Odisseia ainda não chegou aos cinemas, mas já é um dos filmes mais aguardados de 2026 – e tem gente já o considera um dos melhores filmes já feitos. Teremos a resposta quando a estreia acontecer, marcada para 16 de julho.
Fonte: Filmes e Séries


