Impulsionado pelo sucesso do Batman de Tim Burton e dirigido por Russell Mulcahy, o filme contou com um investimento visual considerável e o resultado foi uma sombria Nova York dos anos 1930.
O sucesso estrondoso de Batman em 1989 não apenas redefiniu o cinema de super-heróis, como também abriu caminho para que Hollywood revisasse figuras clássicas do universo pulp. Uma delas foi O Sombra, personagem criado nos anos 1930 por Walter B. Gibson, que chegou aos cinemas em 1994 em uma tentativa clara de recuperar espaço em um cenário já dominado pelo Cavaleiro das Trevas.
Dirigido por Russell Mulcahy, o filme contou com um investimento visual considerável e o resultado foi uma Nova York dos anos 1930 estilizada, exagerada e sombria. Mas, apesar do cuidado estético, a recepção foi fria. O Sombra não conseguiu se destacar nem comercialmente — custou 25 milhões de dólares e arrecadou apenas 48 milhões mundialmente — nem junto à crítica, mesmo com Alec Baldwin no auge de sua fase como astro de ação e um elenco que incluía Ian McKellen e Tim Curry.
O Sombra ficou refém da relevância de Batman
Nos anos 1990, diferentes produções buscaram adaptar heróis pulp anteriores à Segunda Guerra Mundial, cada uma seguindo um caminho distinto. Dick Tracy apostou em emoção, O Fantasma abraçou o lado mais fantasioso, enquanto O Sombra tentou mesclar comédia excêntrica e aventura sobrenatural de forma deliberadamente datada — quase como se tivesse sido feito na década retratada.
O problema, segundo a recepção geral, estava no protagonista. A versão apresentada por Alec Baldwin funcionava como um protótipo de Bruce Wayne, mas sem as características que tornaram a interpretação de Michael Keaton memorável. Os coadjuvantes também careciam de maior definição, com exceção dos vilões, especialmente o personagem de Tim Curry, que se destacou pela energia e exagero.
No fim, O Sombra acabou perdido em meio a uma onda de produções que tentavam repetir a fórmula de Batman. Não foi suficiente para se impor em 1994, mas permanece como um curioso exemplo de como estilo, por si só, nem sempre garante relevância duradoura no cinema de super-heróis.
Fonte: Filmes e Séries


