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“Diziam por aí que era um fracasso”: John Wayne considerava este filme uma de suas grandes realizações, mas foi a maior decepção de sua carreira – Notícias de cinema


Ele vinha acalentando a ideia de fazer o filme desde 1945, mas levaria 15 anos para que ele realmente o realizasse. Após o lançamento, o Duque ficou profundamente abalado com as críticas e uma campanha promocional questionável e desenfreada.

Embora John Wayne tenha deixado uma marca indelével na história do cinema americano, ele também teve sua parcela de controvérsias acaloradas. Ironicamente, o ator considerava aquela que foi uma de suas maiores conquistas cinematográficas como a maior decepção de sua carreira, devido a uma onda de críticas negativas orquestrada, segundo ele e seus apoiadores, por simpatizantes comunistas e uma campanha publicitária dirigida por um agente desonesto. Trata-se de sua obra épica de 1960: O Álamo.

O famoso cerco de 13 dias ao Álamo, que resultou na morte de Davy Crockett, uma das figuras mais célebres do folclore americano, foi um tema perfeito para alguém que nunca deixou de exaltar os valores patrióticos dos Estados Unidos. Na verdade, Wayne vinha acalentando a ideia de fazer esse filme desde 1945. Levaria anos para ele concretizar o projeto e levantar o orçamento necessário de 12 milhões de dólares – equivalente a 120 milhões hoje.

Ele acreditava tanto nisso que contribuiu com US$ 1,5 milhão do próprio bolso, hipotecando suas casas e usando seus carros e iate como garantia para obter empréstimos.

“Diziam por aí que era um fracasso”

United Artists

Wayne ficou profundamente afetado pela recepção morna que o filme recebeu. “Quando O Álamo estreou, diziam por aí que era um fracasso. Que tinha sido orquestrado pelos comunistas para prejudicar Wayne. Depois vieram as críticas negativas inspiradas pelos comunistas”, disse o romancista e roteirista Borden Chase.

Wayne, por sua vez, estava particularmente indignado com um homem chamado Russell Birdwell, famoso executivo de publicidade do Texas, cujo lema era: “Posso tornar qualquer um famoso, pelo preço certo”. Ele se gabava, entre outras conquistas, da promoção de um clássico de Hollywood que foi um triunfo na época: …E o Vento Levou. Ele também foi o responsável pela promoção de O Álamo, como relatado em um artigo da Texas Monthly em março de 2000.

Uma das primeiras coisas que ele fez foi escrever para a United Artists, distribuidora do filme, afirmando que a batalha em questão foi “talvez o maior evento ocorrido desde que Cristo foi crucificado”. Que senso de proporção…

United Artists

Um dos projetos de Birdwell foi um kit de imprensa tão volumoso (184 páginas) que rapidamente ganhou o apelido de “a bíblia”. Essa bíblia continha inúmeras estatísticas, relatando anedotas como se tivessem um significado revelador. Durante os 83 dias de filmagem, por exemplo, os atores e a equipe consumiram 192.509 “refeições saborosas” e devoraram 510.000 xícaras de café, mais de 3.400 litros de sorvete, 53.000 bifes e 5.669 kg de “diversas carnes”. Sem mencionar a conta do ar-condicionado portátil usado no set: US$ 75.000.

Lobby excessivo

Antes da estreia mundial do filme em San Antonio, em 24 de outubro de 1960, Birdwell já era notícia até mesmo nos círculos políticos. Wayne concebeu seu filme como um verdadeiro porta-estandarte para os Estados Unidos, então em plena Guerra Fria. “Não acho que pertença apenas aos texanos”, comentou Wayne. “Pertence a todos, em todos os lugares, que valorizam o tesouro inestimável da liberdade.”

Seguindo essa linha de raciocínio, Birdwell chegou ao ponto de tentar convencer o Congresso a conceder a Medalha de Honra a todos os defensores do Álamo. Ele até escreveu a Winston Churchill, pedindo-lhe que redigisse uma breve mensagem para o programa comemorativo a ser distribuído no evento da Primeira Guerra Mundial, em troca de um pagamento a ser doado para a instituição de caridade de sua escolha. O ex-primeiro-ministro britânico recusou.

United Artists

A verdadeira ferida surgiu no Oscar de 1961. O Álamo recebeu sete indicações, incluindo a de Melhor Filme. Enquanto Wayne estava na África filmando Hatari!, Birdwell enviou cartas aos membros da Academia, explicando que seria totalmente antipatriótico votar em qualquer outro filme. Uma iniciativa que dificilmente arrancou um sorriso dos votantes…

Enquanto jornalistas zombavam desse gesto exagerado e grotesco, Wayne correu de volta para casa para apagar o incêndio iniciado pela infeliz iniciativa de seu problemático executivo de publicidade.

Para piorar a situação, o agente do ator Chill Wills, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no filme, iniciou outra tentativa de influenciar a votação, publicando um anúncio com a seguinte mensagem: “Nós, os atores de O Álamo, rezamos ainda mais do que os verdadeiros texanos rezaram por suas vidas, para que Chill Wills ganhe o Oscar.” Wayne ficou furioso, chegando ao ponto de comprar espaço no The Hollywood Reporter para condenar essa tática.

Embora O Álamo não tenha sido o completo fracasso comercial frequentemente alegado, arrecadando US$ 8 milhões, o resultado foi compreensivelmente insuficiente, dados os altíssimos custos de produção.



Fonte: Filmes e Séries

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